Nos apaixonamos por quem vai nos infligir uma dor que é familiar
Não escolhemos os outros ao acaso, nem por azar; escolhemos aqueles que já existem no nosso inconsciente. O famoso dedo podre não é falta de sorte, é a influência do inconsciente nas escolhas amorosas. O que atrai não é o saudável, mas o familiar. Escolhemos justamente o exemplar que irá nos conectar aos nossos padrões. O sujeito goza com o dedo podre, goza ao reencontrar situações que fazem paridade com a sua dor. Esse gozo ao qual falamos não se confunde com o prazer do ego e está além do sentido do prazer. Há uma espécie de “satisfação” inconsciente que surge na borda do desprazer, na insistência de um padrão que, embora doloroso, é profundamente familiar e, por isso, “satisfatório” para o aparelho psíquico. Freud chama isso de compulsão à repetição.
Esse padrão destrutivo não visa meramente o nosso mal, mas representa uma tentativa de reencenar e repetir situações para que possamos elaborar o que ainda permanece não resolvido de experiências passadas, especialmente da infância. É um esforço para encontrar um novo desfecho para o abandono, a rejeição, o desamparo, entre outros sentimentos. Como Freud já afirmava: repetir para elaborar. Assim, quando algo nos dói, ao mesmo tempo em que somos atingidos por essa situação, esse momento guarda em si a centelha da renovação e da criação de um novo sentido.
Já dizia Jung: “Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamar isso de destino”. A compreensão desses mecanismos é o primeiro passo para quebrar esses ciclos e buscar relacionamentos mais saudáveis e satisfatórios. A terapia ajuda muito!
Por @xamanicos