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Nem todo verde nasce da raiz

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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Nem todo verde nasce da raiz.
Alguns brilham porque foram estendidos por cima do vazio.

O que parece mais vivo, às vezes, apenas esconde.
Cobre o chão árido com aparência.
Silencia a falta com cor.
Engana os olhos, mas não sustenta os pés.

A grama verdadeira cresce devagar.
Suja as mãos.
Depende de tempo, de cuidado, de sol e de chuva.
Ela não impressiona à primeira vista, mas permanece.

Já o falso verde precisa ser desenrolado todos os dias.
Precisa de manutenção constante para não revelar o que há por baixo.
E basta um passo mais atento para sentir que algo não sustenta.

Na vida, também é assim.
Nem todo sorriso é abrigo.
Nem toda leveza é verdade.
Nem todo caminho bonito leva adiante.

Aprender a perceber o que é natural exige silêncio interior.
Exige olhar além da superfície.
Exige coragem para preferir o real, mesmo quando ele não é o mais vistoso.

O que é verdadeiro pode até ser menos chamativo.
Mas não descola com o tempo.
Não se desfaz quando chove.
Não precisa ser fingido.

A alma reconhece.
Sempre reconhece.

Porque o que vem da raiz não precisa parecer perfeito.
Precisa apenas ser real.

 

Por @pequenooshabitos

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