Morde e assopra
A reforma ministerial surpresa anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro vem carregada de ambiguidades. De um lado faz um aceno para o Centrão, nomeando para a secretaria de governo a deputada federal Flávia Arruda (PL-DF), uma aliada do presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (DEM).
De outro, ao demitir o Ministro da Defesa General Fernando de Azevedo e Silva, dá um recado claro de descontentamento com distanciamento das Forças Armadas do governo. Distanciamento que deve ser mantido por ser fundamental e saudável para a democracia.
Ao buscar a politização condenável das Forças Armadas, promove mais cisão com a possibilidade de demissão dos comandantes do Exército Edson Leal Pujol, da Marinha, Ilques Barbosa, e da Aeronáutica, Antônio Carlos Bermudez. Um feito inédito se confirmado. Caberá ao General Braga Netto acalmar os ânimos, para evitar mais turbulência.
Proximidade
Um dos requisitos para ser ministro no governo Bolsonaro é ser próximo da família. No caso da reforma, isso ficou mais uma vez evidente. Dois dos novos ministros estão ligados aos filhos e ao próprio presidente. No Ministério das Relações Exteriores, sai Ernesto Araújo, e assume o embaixador Carlos Alberto Franco França, chefe do cerimonial do Palácio do Planalto. França passou a frequentar o circulo pessoal do presidente desde que o assessorou em Davos, em 2019.
No Ministério da Justiça e Segurança Púbica, sai André Mendonça e entra Anderson Torres, que era secretário de Segurança do governo do Distrito Federal. Torres é muito próximo da bancada da Bala no Congresso e aliado do governo. Chegou a ser cotado para o Ministério da Segurança Pública, em 2019, caso fosse desmembrado do Ministério da Justiça.