Moramos na mesma casa e quando um irmão está triste, todos nós estamos, diz Arcebispo sobre tragédia no Estado
O impacto da tragédia que atingiu milhares de gaúchos foi devastador no aspecto econômico, mas talvez até pior no campo psicológico. O Estado se recuperava da grande enchente de 2023 que, para cidades como Muçum e Roca Sales, chegou também em novembro e agora atinge de forma mais intensa muitas cidades. Os números mostram que, desta vez, o evento foi bem mais devastador no aspecto de danos e também de vidas. Ao menos 100 pessoas morreram e o Estado foi imobilizado com estradas destruídas e cidades inteiras afetadas de uma forma que quase desapareceram.
Diante de tudo isso o fenômeno é classificado como um desastre natural, por excesso de chuva, a mesma chuva que é retratada como algo divino, que traz a vida para áreas secas, levantando o questionamento no campo religioso e deixando muitas pessoas também sem esperança, haja visto que é a segunda grande enchente em menos de um ano no Estado.
Sobre este atual momento a Uirapuru conversou com o Arcebispo de Passo Fundo, Dom Rodolfo Luiz Weber. Conforme ele, é preciso entender a dimensão de que milhares sofrem agora, seja pela perda de bens ou de pessoas amadas e próximas.
O Arcebispo foi questionado por um ouvinte, falando sobre fé, com a pergunta: por que uma divindade, Deus, permite uma situação de tamanho sofrimento dos seus filhos? O Arcebispo respondeu que o mundo é uma obra inacabada, onde as pessoas participam desta construção constante. As ações humanas têm responsabilidade no planeta e, muitas vezes, isso não é levado a sério. Explicou que não há interferência divina. Disse que Jesus nunca prometeu vida eterna na terra, sendo preciso levar a sério a condição humana mortal, sem deixar de crer em Deus. Lembrou que há a palavra de que a alma é eterna e isso não termina aqui na terra. Por fim, expressou solidariedade a todos os atingidos e pediu que cada um faça sua parte, não esperando apenas ações de grupos, mas sim de cada um para ajudar o próximo.
Deixou uma mensagem aos flagelados dizendo que não é preciso guardar para si este sofrimento, mas sim tenha uma pessoa que possa partilhar este sentimento e apoiar neste momento, nem que seja ouvindo e dando um abraço fraterno. Pediu que estas pessoas também deixem ser ajudados por quem está disposto. Falou também que há muitas manifestações em tragédias que mais atrapalham do que ajudam. Lembrou que é preciso não fazer julgamentos, mas sim ajudar o próximo nesta hora tão difícil.