Momento de sermos solidários e compartilhar
Hoje fui comprar álcool gel na farmácia, e como já haviam me dito, não havia álcool em gel para vender em nenhuma farmácia. Tudo esgotado. Ao constatar esse fato, me lembrei de uma história verídica atribuída a Chico Xavier . Dizem que Chico ao comprar tomate no mercado selecionava um tomate bom e um ruim, um bom e um ruim, e ia colocando em um saco, ao ser perguntado sobre a razão daquilo, do porque escolher tomates ruins para comprar, ele respondeu “Se eu pegar só os bons, sobrarão para os outros só os ruins” entre os milhões de aprendizados que teremos com o Coronavírus, espero que o sentimento de comunhão se fortaleça, que as pessoas percebam que suas vidas não serão salvas se estocarem uma tonelada de álcool em gel, enquanto vários outros ficarem sem nenhuma gota, porque se todos esses outros adoecerem provavelmente essa pessoa também padecerá abraçada no seu galão de álcool em gel. Quem servirá esse indivíduo no mercado? No banco? Na farmácia? No Hospital?
Será que alguém ainda tem a ilusão de ser auto suficiente. Peço que pensamos nisso, antes de sairmos nos apropriando de tudo que for visto pela frente, além das nossas reais necessidades e que como Chico Xavier aprendamos a compartilhar e sermos solidários, porque em um momento histórico em que certas políticas, ideologias descriminatórias estão surgindo em todo o mundo, aparece um vírus que nos faz experimentar que num piscar de olhos podemos nos tornar os discriminados, aqueles que não tem permissão para atravessar a fronteira, aqueles que transmitem doenças, mesmo sendo branco, ocidental e com todos os tipos de luxos baratos que temos ao nosso alcance. Em uma sociedade baseada na produtividade do consumo na qual todos passamos 14 horas por dia correndo, não sabemos muito bem para onde, sem descanso, sem pausa, de repente somos forçados a parar, recolhidos em casa, dia após dia, contando as horas de um período do qual perdemos o valor. Agora eu pergunto: Ainda sabemos como usar o nosso tempo, sem uma finalidade específica, num momento em que os pais por motivos maiores costumam delegar seus filhos a outras pessoas e instituições.
O coronavírus força as escolas a fecharem e nos obriga a buscar soluções alternativas, coloca os pais junto ao seus filhos. Nos obriga sermos família novamente, dando-nos a falsa ilusão de proximidade. Este vírus, nos tira a proximidade verdadeira e real, sem toques, beijos, abraços, tudo deve ser feito a distância, na frieza da falta de contato. Este vírus nos envia uma mensagem clara, a única maneira de sair disso é fazer ressurgir em nós a sensação de ajuda ao próximo, de pertencer a um coletivo, ser responsável e fazer parte de algo maior, que por sua vez é responsável por nós, com responsabilidade, sentir que suas ações influenciam no destino das pessoas ao seu redor e que você depende delas. Vamos para de procurar culpados ou nos perguntar porque isso aconteceu e começar a pensar sobre o que podemos aprender com tudo isso.
*Desconhecido