Metamorfose
O elefante encontrava-se no espaço que desde há muito vivia. Já havia tentado ir além. Concluíra ser impossível. Assim, sua força e inteligência adormeceram. Deitado, um dia escutou: “levanta-te e caminha”. Ao transcender os conhecidos limites, perguntou-se: “como isso ocorreu?”. A dificuldade maior foi em acreditar e compreender o que ocorrera. Resolveu dar uma volta em torno do circo; e sentou-se no ponto de partida. Ainda incrédulo, refletiu: “o que fazer agora? São muitas as possibilidades!”. Decidiu ir conhecer a Vida: “abrir-me-ei para aprender”.
Atravessou o portal do circo e dirigiu-se à larga estrada. Na medida que caminhava, começou a se transformar nos mais diversos animais. Ao vivenciar cada um, aprendia. Ao ser urso, aprendeu a proteger e a hibernar em si; na pele do leopardo, a agilidade e o ímpeto; com o cachorro, o valor da amizade e da lealdade; com a formiga, a união e a força inspirada no trabalho coletivo. Transformou-se em um pardal, quando aprendeu o divino no simples e no comum; com o beija-flor, a doçura e a capacidade de voar em todas as direções; com a pomba, a pureza e a inocência; com a águia, a autodeterminação e a soberania sobre si.
Por fim, tornou-se um Uirapuru. Vivenciando a sabedoria, o amor e a harmonia. Decidiu ser um mensageiro da Floresta. Sobre ele, reza a lenda que “seu canto, puro e delicado como o de uma flauta, parece ter saído de uma entidade divina. Os caboclos mateiros afirmam que, quando canta o Uirapuru, a floresta silencia. Quem o encontra, pode fazer um pedido especial”.