Mesmo com lucros bilionários, bancos reduzem gastos e colocam funcionários com mais tempo de serviço como alvo de demissões
De acordo com dados da Pesquisa de Emprego Bancário divulgada em parceria com o DIEESE, o sistema financeiro brasileiro fechou 1849 postos de trabalho nos primeiros três meses do ano. O Rio Grande do Sul foi o terceiro estado que mais demitiu no período, superado por São Paulo e Rio de Janeiro. Os bancos privados lideraram os cortes. No ano passado BB, Bradesco, Caixa Federal, Santander e HSBC lucraram 56 bilhões de reais. Mesmo com esse lucro bilionário, os bancos continuam eliminando postos de trabalho. De acordo com Nelson Fazenda, do Sindicato dos Bancários de Passo Fundo, a entidade já vem alertando a anos para essas demissões./ Ele pondera que outro fator preocupante é a rotatividade no setor. Esse mecanismo é utilizado pelos bancos para diminuírem a folha salarial, aumentando em contra partida sua margem de lucro. Explica que isso ocorre quando um funcionário com 10 ou 15 anos de carreira e que possui um salário maior em razão do tempo de trabalho é demitido para que um bancário novo seja contratado com um ganho básico.
A rotatividade permaneceu muito alta no primeiro trimestre do ano. Os bancos brasileiros contrataram 8.266 funcionários e desligaram 10.115. Segundo Fazenda, essa prática ocorre mais nos bancos privados, pois nos públicos, como Caixa, Banco do Brasil e Banrisul, por exemplo os bancários tem certa tranquilidade pela estabilidade do cargo.