Instabilidade climática pressiona avanço da safra e acende alerta para o milho na região
instabilidade climática volta a preocupar o setor agrícola da região no início do ciclo de verão. Com a irregularidade das chuvas, produtores avançam no plantio conforme as condições permitem, enquanto culturas já estabelecidas começam a sentir os efeitos da estiagem. A combinação entre déficit hídrico previsto para os próximos meses e a necessidade de manter o ritmo da safra aumenta a pressão sobre o planejamento das lavouras. Nesse contexto, o engenheiro agrônomo Claudio Doro avaliou o cenário atual e apontou os principais impactos observados no campo.
O engenheiro agrônomo Claudio Doro avaliou a situação das lavouras da região no Programa Cotações e Mercado e afirmou que o cenário volta a ser de preocupação para os produtores. Segundo ele, o período atual lembra o fim recente de um ciclo difícil e sinaliza o início de outro, marcado novamente pela falta de chuva. Doro explicou que o milho, que havia iniciado o desenvolvimento de forma satisfatória, já apresenta sintomas claros de estresse hídrico, com folhas retorcidas e queda no vigor. No caso da soja, o plantio avançou até onde foi possível, mas a continuidade depende de precipitações.
Doro destacou que muitos produtores optaram por alta densidade de plantas no milho para ampliar o potencial produtivo. Ele afirmou que essa estratégia pode trazer bons resultados se houver chuva suficiente, mas ressaltou que, na ausência de umidade, a cultura sente de forma acentuada. O engenheiro alertou que, sem precipitações nos próximos dias, a região poderá registrar uma quebra significativa na produção de milho.
Mesmo com os preços baixos das commodities e com a estiagem, Doro observou que os agricultores seguem mantendo seus sistemas produtivos com grande esforço próprio. Ele citou que o prognóstico climático aponta para um déficit hídrico de cerca de setenta e cinco milímetros em dezembro, além de chuvas abaixo da média novamente em janeiro. Diante desse cenário, afirmou que o produtor precisa estar preparado para condições adversas.
Ao comentar sobre irrigação, Doro explicou que o custo elevado dos equipamentos, as dificuldades no licenciamento ambiental e uma barreira cultural ainda limitam a adoção dessa prática. Segundo ele, muitos agricultores priorizam a compra de máquinas, implementos ou novas áreas de terra, enquanto a irrigação, que poderia garantir estabilidade de produção, acaba ficando em segundo plano. Doro acrescentou que, em sistemas irrigados, o produtor consegue prever com mais precisão o volume colhido, já que a água deixa de ser um fator limitante.
Sobre o avanço da safra, Doro informou que, após percorrer municípios como Água Santa, Tapejara, Sertão, Passo Fundo e Marau, observou que cerca de oitenta e cinco por cento da área de soja já está plantada na região. Ele relatou haver lavouras semeadas no cedo que já começam a fechar as linhas, enquanto outras dependem das próximas chuvas para garantir boa germinação. Também citou que há produtores colhendo trigo e iniciando imediatamente o plantio da soja, enquanto outros interromperam o processo à espera de melhores condições.
Doro observou que a colheita do trigo deve ser concluída nos próximos dias, favorecida pelo uso de máquinas de alta capacidade. Ele avaliou que a safra de soja deste ano deve apresentar grande variação de produtividade em função das diferentes datas de plantio e da irregularidade das chuvas. Informou ainda que, enquanto o Rio Grande do Sul registra cerca de sessenta por cento da área cultivada com soja, a região apresenta avanço maior. Mesmo assim, ressaltou que a janela ideal de plantio, que se encerra no fim de novembro, já está se fechando. O engenheiro afirmou que o plantio em dezembro deve ocorrer, mas dependerá da chegada da chuva para garantir o estabelecimento adequado das lavouras.