Imagina ser mordido por uma cobra
Um monge disse certa vez que ser mordido por uma cobra já é dor suficiente. O veneno corre pelo corpo, queima, paralisa, ameaça. Mas há algo que pode ser ainda mais destrutivo do que a própria mordida: abandonar a própria cura para sair correndo atrás da cobra.
Quantas vezes fazemos isso na vida?
Alguém nos fere com palavras duras, com atitudes injustas, com abandono inesperado e, em vez de cuidar da alma que sangra, passamos dias, meses ou anos tentando entender o porquê. Queremos explicações. Queremos justiça. Queremos provar que não merecíamos aquilo. E, nessa busca, deixamos o veneno agir dentro de nós.
A verdade é que nem toda dor terá resposta. Nem toda ferida virá acompanhada de pedido de desculpas. Nem toda injustiça será reconhecida por quem a cometeu. E insistir em perseguir quem nos machucou pode nos afastar da única coisa que realmente importa: nossa própria restauração.
Há uma sabedoria silenciosa em escolher parar.
Em escolher cuidar da ferida antes de discutir a causa.
Em escolher a própria paz antes de buscar razão.
Curar-se é um ato de maturidade espiritual. É entender que sua energia é sagrada demais para ser gasta tentando convencer alguém do seu valor. É compreender que a sua dignidade não depende da consciência do outro.
A cobra pode até ter seguido seu caminho sem olhar para trás. Mas você ainda pode escolher não carregar o veneno.
Respire.
Limpe a ferida.
Fortaleça o coração.
Porque há dores que vieram para ensinar limites, não para aprisionar sua alma. Há pessoas que passaram pela sua vida não para ficar, mas para revelar sua força. E há momentos em que a maior vitória não é entender o que aconteceu é simplesmente seguir inteiro apesar disso.
Não corra atrás da cobra.
Corra em direção à sua cura.
E quando estiver novamente de pé, mais consciente, mais forte e mais leve, perceberá que o que quase te destruiu foi, na verdade, o que despertou sua sabedoria.
Que você escolha a paz acima da explicação.
A cura acima da razão.
E o amor-próprio acima de qualquer ferida.
Por @despertarodivino