Dia Mundial da Propaganda: especialista analisa evolução da propaganda e impactos da tecnologia no setor
O Dia Mundial da Propaganda, celebrado em 4 de dezembro, marca anualmente o reconhecimento de uma área que influencia comportamentos de consumo, desenvolve estratégias de comunicação e integra a relação entre marcas e sociedade. A data remete ao papel da propaganda na construção de mercados e na formação de percepções públicas sobre produtos, serviços e organizações. Para tratar da evolução do setor e dos desafios atuais, especialmente diante das tecnologias digitais e da inteligência artificial, a Rádio Uirapuru entrevistou a publicitária Beatriz Fragomeni, especialista em gestão estratégica de marketing.
Beatriz Fragomeni explicou que a propaganda acompanha as transformações do comportamento de consumo e das formas de vida ao longo do tempo, ajustando-se obrigatoriamente ao contexto em que está inserida. Disse que, com a ampliação das mídias digitais, a área passou a incluir a construção de reputação das marcas, considerando conexões, impressões e visibilidade como componentes fundamentais para empresas que utilizam a comunicação tanto para promover serviços quanto para consolidar identidade institucional.
A publicitária relatou que a propaganda não se limita ao varejo e afirmou que a construção de marca envolve valores, missão e propósitos. Ela acrescentou que a atratividade das campanhas varia conforme o público-alvo e destacou que uma mesma peça pode gerar interesse em determinado grupo e não produzir efeito em outro. Mencionou que esse comportamento difere do varejo, que busca alcançar o maior número de pessoas para ampliar vendas.
Na avaliação dela, a propaganda é desenvolvida em ciclos muito curtos e pode perder efeito rapidamente, o que reforça a necessidade de planejamento. Ela observou que existe confusão frequente entre propaganda e marketing. Explicou que, dentro do marketing, a comunicação é a última etapa, que depende de alinhamento prévio de estoque, equipe, posicionamento e demais elementos estratégicos. Segundo ela, algumas empresas iniciam a divulgação sem essa estrutura e comprometem o resultado.
A publicitária afirmou que o profissional de propaganda precisa compreender o público, o produto e o cliente para desenvolver campanhas que gerem reação e provoquem decisão de compra. Disse que esse processo exige análise e conhecimento técnico e citou que, apesar disso, muitos negócios substituem o trabalho especializado por soluções improvisadas produzidas por pessoas sem formação na área. Ela apontou que tal prática desconsidera riscos e exemplificou situações em que erros de escrita, argumentos desalinhados ou peças desconectadas prejudicam a reputação das marcas.
Beatriz Fragomeni enfatizou que a comunicação deve estabelecer vínculo com o público e afirmou que o conteúdo precisa refletir identidade, proposta e valores do cliente. Declarou que a compra ocorre quando a mensagem abre caminho para essa conexão e que a propaganda tem função estrutural na criação desse canal.
Ao comentar o uso de inteligência artificial no setor, ela disse que a tecnologia pode contribuir em etapas específicas, como edição, mas alertou que a criação e a definição de elementos essenciais devem conservar perspectiva humana. A publicitária afirmou que mensagens inteiramente produzidas por ferramentas automáticas tendem a perder autenticidade e afastar o público, porque as pessoas percebem quando o conteúdo não apresenta elementos reais. Acrescentou que, mesmo com avanços tecnológicos, a propaganda depende da construção de conexões humanas para manter relevância.