Dia Internacional da Amizade reforça valor das relações humanas para a saúde mental
No dia 30 de julho é celebrado o Dia Internacional da Amizade. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de reforçar os vínculos de solidariedade entre indivíduos, culturas e países. A proposta é promover a convivência pacífica, o respeito mútuo e a cooperação entre os povos, reconhecendo a amizade como um valor essencial para a construção de um mundo mais justo e harmônico.
Para compreender melhor o papel da amizade na saúde emocional e na vida em sociedade, a Rádio Uirapuru conversou com a psicóloga Marisa Canello Kuhn. Ela explica que a amizade exerce diversas funções fundamentais para o bem-estar. Entre elas, destaca o apoio emocional, a sensação de pertencimento, o estímulo ao crescimento pessoal e até mesmo a contribuição para a longevidade.
“Bons amigos oferecem um ombro em momentos difíceis, participam das nossas alegrias, ajudam a lidar com estresse, ansiedade e depressão. Isso ocorre porque há uma troca, uma comunicação que permite compartilhar pensamentos e sentimentos”, afirma a psicóloga. Segundo ela, essa rede de apoio contribui para o alívio da tensão emocional e melhora da saúde mental.
Kuhn também ressalta que os laços de amizade fortalecem a autoestima. “Ter um grupo de amigos proporciona senso de comunidade e pertencimento, o que aumenta a satisfação com a vida”, observa. Além disso, amigos costumam oferecer conselhos importantes em momentos de decisão, incentivando o desenvolvimento pessoal.
A psicóloga aponta que estudos indicam uma relação entre vínculos sociais sólidos e maior expectativa de vida. “Amigos nos encorajam a manter hábitos saudáveis e nos apoiam em diferentes fases, o que pode impactar positivamente na longevidade”, explica.
Ela também destaca que a amizade assume papéis diferentes conforme a fase da vida. “Na infância, é um período de descoberta, com as primeiras interações sociais. Na adolescência, surgem os grupos de pares. Na fase adulta, as amizades se formam por similaridades, como entre casais ou colegas de trabalho. Já na velhice, apesar de haver uma tendência ao isolamento, essas relações seguem sendo importantes”, analisa.
Elementos como proximidade, frequência, duração e intensidade definem a natureza das amizades, conforme a psicóloga. “Amizades podem começar na infância e durar a vida toda, ou surgirem em momentos específicos, como na faculdade ou no ambiente de trabalho. A intensidade da relação também varia, influenciando o grau de importância dessa amizade na vida de cada pessoa”, explica.
Na vida adulta, segundo Kuhn, é comum haver uma redução no número de amizades e um processo de maior seletividade. “Com a maturidade, vamos compreendendo melhor o que significa ser amigo. As experiências vividas, inclusive decepções, nos tornam mais cautelosos e cuidadosos. Alimentamos vínculos mais consistentes, mas em menor quantidade”, afirma.
Sobre as amizades virtuais, a psicóloga considera que elas são válidas, mas exigem atenção. “Ter seguidores não significa ter amigos. As redes sociais possibilitam reencontrar ou manter contato com amigos antigos e, em alguns casos, uma amizade pode surgir no ambiente virtual e se tornar presencial. No entanto, a interação nas redes nem sempre tem a mesma profundidade que o contato pessoal”, avalia.
Kuhn pondera que é necessário cuidado com as expectativas criadas nos relacionamentos online. “Muitas vezes, o que se vê nas redes é uma grande exposição com pouca interação verdadeira. É preciso refletir sobre o que se espera dessas relações e quais trocas de fato acontecem ali”, conclui.