Desfiliação previsível
A desfiliação do prefeito de Passo Fundo Pedro Almeida e do ex-prefeito Luciano Azevedo do PSB, revela o grande conflito interno em que está mergulhado o partido no âmbito estadual desde 2018. A divisão ficou mais clara quando o ex-deputado federal Beto Albuquerque perdeu o comando do diretório estadual para o então deputado federal José Stédile. No mesmo ano se filiou ao PSB, o ex-prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti, com a promessa de que ele seria candidato ao senado. Stédile fez força para que o partido tivesse dois candidatos: Fortunatti e Beto Albuquerque, intenção que não vingou. Beto disputou a vaga ao Senado, fazendo quase 2 milhões de votos e Fortunatti concorreu a deputado federal, não se elegendo. Mais tarde, deixou o PSB.
Perda do comando
Desde então, Beto Albuquerque, fundador do PSB gaúcho e hoje vice-presidente nacional do partido, perdeu espaço no diretório estadual, não conseguiu retomar o comando. Em abril, Beto foi surpreendido pelo diretório ao ser lançado como pré-candidato a governador do Estado em 2022. Fez condicionantes para aceitar, sendo um deles que o partido tenha candidato próprio à Presidência da República. O que não vai acontecer, já que a disposição do diretório nacional é apoiar a candidatura do ex-presidente Lula.
Grupo político
Com a perda de comando no diretório estadual, ficou mais difícil o trânsito interno para o grupo político ligado a Beto. Neste grupo está o ex-prefeito Luciano Azevedo que, não é de hoje, vinha ressentido com o partido. Chegou a se afastar por algum tempo, assim que foi eleito para o segundo mandato à frente da prefeitura e só se manteve filiado pela garantia de independência.
Caminho pelo centro
A polarização política e a confirmação de que o PSB nacional vai apoiar Lula foram decisivas no anúncio de desfiliação. Conforme escreveu em rede social ele e o prefeito Pedro Almeida quer um caminho de centro, “que seja bom para a maioria da população e bom para o Brasil”. Pedro e Luciano devem se filiar ao PSD de Gilberto Kassab, apostando numa terceira via que poderá ser o presidente do Senado Rodrigo Pacheco.
Desmonte
O desmonte do diretório municipal do PSB será inevitável. Começou com a desfiliação de Carlos Eduardo Lopes da Silva, o Cadu, ex-secretário do Desenvolvimento. Passa por Luciano e Pedro e seguirá com outros aliados do grupo político que comanda a prefeitura de Passo Fundo desde 2013. Neste grupo estão secretários municipais, pessoas que ocupam cargos de confiança e poderá atingir a bancada socialista na Câmara. É claro que para os vereadores, a desfiliação só ocorre em janela partidária.
Não sai
Por enquanto, Saul Spinelli, vereador licenciado para comandar a secretaria de Assistência Social, não deixará o partido e segue firme no projeto de candidatura a deputado estadual.
Futuro
O futuro de Beto Albuquerque é incerto. Ele não deve deixar o partido, é um dos históricos fundadores da sigla. Mas também não deve concorrer em 2022. Isso porque há o compromisso de Beto de não disputar a vaga de deputado federal, concorrendo na mesma base eleitoral que Luciano Azevedo. Beto não vai arriscar uma nova disputa ao Senado e não aceitará ser candidato ao governo do Estado.
Sem comentário
O atual presidente do diretório estadual, Mário Bruck, respondeu ao blog que a decisão de Luciano e Pedro Almeida é de foro íntimo e não cabe ao diretório comentar a respeito.
Outros partidos
Luciano Azevedo já esteve filiado no PDS, onde iniciou a vida política, cuja sigla mudou para PPR e PPB. Foi para o PPS, PSB e, provavelmente seguirá para o PSD. O PSB foi o primeiro partido de Pedro Almeida, que também seguirá para o PSD.