Demarcação de terras: proprietários de balneários contabilizam estragos em Vicente Dutra
Após uma semana, os proprietários de cabanas e empresários de Vicente Dutra ainda contabilizam o prejuízo após o confronto com indígenas, iniciado na quarta-feira passada. Segundo um dos proprietários do balneário Águas do Prado, que foi o palco do conflito, ainda restam os escombros de cabanas quebradas e um escritório queimado em frente ao empreendimento. O senhor Olinto, falando à rádio Uirapuru, frisa que a comunidade ainda está abalada e sente medo de um possível conflito com indígenas. Ele explica que das duzentas e dez cabanas do local, pelo menos cem foram arrombadas. Olinto afirma que os estudos para demarcação da reserva indígena já vem sendo feitos há pelo menos dez anos e a demarcação já ocorreu. Entretanto, como a indenização ainda não foi paga pelo governo federal, os proprietários não querem sair do balneário e os indígenas pretendem ocupar o local. A disputa iniciou na noite da quarta-feira passada, quando os indígenas, durante um protesto reivindicando agilidade do governo federal no processo de demarcação, invadiram o balneário. Um dia depois, os proprietários, com apoio de comerciantes, expulsaram os índios do local. A situação somente se normalizou na sexta-feira, após uma reunião no Ministério Público Federal, onde ficou acordado que os indígenas liberariam a estrada que dá acesso à comunidade.