Crise da cebola em SC preocupa, mas Passo Fundo mantém mercado estável
A queda no preço da cebola levou municípios de Santa Catarina a decretarem situação de emergência. Cidades como Ituporanga e outros municípios do Alto Vale, da Grande Florianópolis e do Meio-Oeste alegam que o valor pago ao produtor caiu para cerca de R$ 1,20 por quilo, abaixo do custo de produção estimado em R$ 1,33. O cenário compromete a renda de agricultores familiares e levou prefeituras a buscarem medidas como apoio em crédito e renegociação de dívidas.
Em contraponto, em Passo Fundo, o impacto é considerado menor. O presidente da Feira do Produtor, Mércio Tarciso Michel, afirma que a região não possui grandes produtores de cebola, o que reduz os efeitos diretos da crise. Segundo ele, o preço ao consumidor final na feira gira entre R$ 4 e R$ 5 o quilo, valor que considera dentro de uma normalidade de mercado.
Michel explica que o problema maior está na origem da cadeia. Quando o produtor recebe muito pouco, muitas vezes não compensa colher. Ele relata que há casos em que a produção é deixada na lavoura para evitar mais prejuízo com custos de colheita e transporte. Para o consumidor, o preço baixo pode parecer positivo no primeiro momento, mas a consequência pode vir depois.
De acordo com ele, quando o agricultor deixa de plantar ou abandona a cultura por falta de rentabilidade, ocorre redução de oferta nas safras seguintes, o que tende a provocar alta nos preços. Ele também destaca que Passo Fundo poderia ampliar a produção local de itens como cebola, batata e batata-doce, mas falta incentivo para que produtores invistam nessas culturas.
Após um período de estiagem, as chuvas recentes ajudaram a manter as lavouras em desenvolvimento na região. Michel avalia que, apesar do cenário preocupante em Santa Catarina, a realidade local segue estável, embora o mercado permaneça atento aos possíveis reflexos nos próximos meses.