Abrindo caminhos
O ressentimento é um grande obstáculo à nossa paz, saúde, e prosperidade.
A Espiritualidade afirma que o ressentimento bloqueia os nossos próprios recursos, isto é, impede que o melhor de nós se manifeste de forma plena.
A pessoa ressentida, carregando veneno dentro de si mesma, não está em sua melhor forma física, emocional e espiritual, pois a mágoa, representando um sentimento negativo, rebaixa a nossa energia vital, afetando todos os níveis da nossa vida.
Em consequência, o ressentido tem forte propensão a experimentar apatia, cansaço, tristeza, fragilidade orgânica, falta de interesse no desempenho de suas atividades e dificuldades de atenção.
E tudo isso se reflete negativamente em seus relacionamentos pessoais e profissionais, pois seu aspecto emocional é desagradável e sua energia de atração da prosperidade está bloqueada.
É uma energia de repulsão de pessoas boas e situações agradáveis, pois o ressentido está de mal com o mundo, portanto, não pode esperar que o mundo esteja de bem com ele.
Inconscientemente, ele acredita que, ficando ressentido, punirá a pessoa que o feriu, quando, na verdade, ele está ferindo a si próprio e ficando preso a quem o prejudicou.
Muitas doenças são processos inconscientes de punição a quem nos feriu.
É como se quiséssemos mostrar à pessoa o “estrago” que ela fez conosco, certamente para que sinta culpa pelo mal que nos fez.
É uma forma cruel de lidar com a mágoa, pois, na verdade, quem está sofrendo é quem adoeceu e aquele que nos machucou pode até nem se importar com o nosso sofrimento.
A cura do ressentimento é o perdão.
É abrir mão do nosso orgulho ferido e ficar com a nossa alma livre e em paz.
A humildade é a mais forte aliada do perdão, pois ela nos ajuda a relativizar as coisas, a não dar a elas a importância exagerada que geralmente lhes damos, e nem dar a nós a importância extrema que muitas vezes nos atribuímos.
Precisamos diminuir o tamanho das ofensas, das contrariedades.
Tudo fica muito pequeno quando pensamos que estamos aqui na Terra em viagem passageira e que, a qualquer hora, poderemos partir.
Eu me senti bastante tocado com o depoimento de um jovem de 25 anos, portador de câncer:
“Sempre fui explosivo: brigava no trânsito, xingava os outros, ficava irritado por qualquer bobagem, já acordava chateado sem saber por quê.
Quando entendi que podia morrer, pensei: não tem cabimento desperdiçar o resto da vida.
Virei Albert Einstein, o defensor da relatividade: quando alguma coisa me desagrada, procuro avaliar que importância ela tem no universo.
Descobri que é possível ser feliz até quando estou triste.
Creio que podemos aprender a perdoar com esse jovem, relativizando as ocorrências negativas e não desperdiçando a vida que ainda temos pela frente, pois, afinal de contas, com saúde ou sem saúde, todos nós vamos deixar este mundo.
Por isso, em nossa passagem pela Terra, vamos nos importar mais com as flores do que com os espinhos.
O ressentimento é uma opção espinhosa que podemos fazer diante da mágoa. Mas o perdão é a flor para quem deseja ser feliz.