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A pessoa não acorda um dia e decide se apagar, mas isso acontece aos poucos

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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A pessoa não acorda um dia e decide se apagar. Acontece aos poucos. Primeiro ela deixa de dar uma opinião para evitar conflito. Depois abre mão de um programa com amigas porque ele não gosta. Em seguida, muda o jeito de se vestir, de falar, de reagir. Cada concessão parece pequena, mas o acúmulo é devastador.

O problema é que quem se anula por amor não percebe que está fazendo isso. Na cabeça dela, está sendo compreensiva, flexível, madura. Está “escolhendo suas batalhas”. Mas não está escolhendo batalha nenhuma. Está se rendendo antes de qualquer luta começar.

E o paradoxo é cruel: quanto mais ela se molda para caber na vida do outro, menos espaço sobra para a vida dela. As vontades vão sendo substituídas pelas vontades dele. Os sonhos vão sendo adiados. As amizades vão ficando distantes. Até que um dia ela olha no espelho e não reconhece quem está ali.

A verdade é que existe uma diferença enorme entre ceder por amor e se perder por medo. Quem cede por amor escolhe abrir espaço para o outro sem abandonar quem é. Quem se perde por medo entrega pedaços de si mesma como moeda de troca por permanência. E permanência comprada com a própria identidade tem prazo de validade.

Não raramente, a pessoa só percebe o tamanho do estrago quando o relacionamento acaba. É nesse momento que descobre que não sabe mais o que gosta, o que quer, quem é fora daquele vínculo. E a reconstrução dói tanto quanto a perda.

Ninguém deveria precisar se diminuir para ser amada. E quem precisa que você se diminua para ficar, não quer você. Quer uma versão conveniente de você. Reconhecer isso é o primeiro passo para parar de negociar sua identidade em troca de afeto. E esse reconhecimento, por mais doloroso que seja, é onde a transformação começa.

 

Por@thiagosian

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