A ilusão de ser feliz o tempo todo está nos deixando doentes
Vivemos uma era em que mostrar dor é quase um crime. Ninguém pode sofrer, ninguém pode sentir. Rompeu com alguém que amava? Já vem o coro: “Levanta dessa cama!”, “Vai se divertir!”, “Esquece isso!”. Como se curar fosse apagar. Como se seguir em frente fosse fingir que nada doeu.
Mas não, não é assim. Quando perdemos alguém que foi importante, a tristeza é parte do processo. O luto não é fraqueza, é respeito. Respeito ao que foi vivido, ao que foi sentido, ao que ainda pulsa, mesmo que tenha acabado. Ignorar a dor não a dissolve, apenas a adia. E ela volta mais intensa, mais silenciosa, mais difícil de nomear.
O problema é que a felicidade virou uma moeda social. Você precisa sorrir para ser aceito. Precisa parecer bem para ser admirado. Não pode reclamar, não pode questionar, não pode desagradar. As relações se tornam vazias, porque todo mundo finge estar bem o tempo todo. E no fundo, todo mundo está implodindo em silêncio.
Fingimos não ver os incômodos, os abusos emocionais, os silêncios ensurdecedores nas relações. Evitamos conversas difíceis, temas profundos, qualquer coisa que nos tire do “vibe boa”. E com isso, vamos apagando partes de nós mesmos. Vamos morrendo de pouco em pouco, enquanto postamos sorrisos e frases prontas de superação.
Não, você não precisa ser a melhor versão de si todos os dias. Não precisa estar bem sempre. Não é errado sentir raiva, ciúme, tristeza, medo. Errado é se violentar para caber num padrão que não respeita a sua verdade.
Você é humano. E ser humano é contraditório, intenso, vulnerável. Permita-se ser real. Porque só quem sente verdadeiramente… pode amar de verdade também.
Por @diarioespirita1