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A escada

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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Minha amiga Mildred fazia progresso, recuperando-se lentamente de um derrame cerebral. Ela ainda lutava para sentar-se direito e para falar.

A cada vez em que eu a visitei no asilo, as linhas de frustração
em seu rosto estavam um pouco mais profundas. A frase que ela mais pronunciava era,

-Por que?

E nada que eu dissesse trazia-lhe conforto. Lutei também. Em minhas orações eu pedi, – Senhor, como posso ajudar?

Certa noite me despedi de Mildred e fui jantar com minha mãe.
Fui ao banheiro lavar as mãos e notei algo peculiar: uma longa faixa de papel higiênico cobria boa parte da bacia da pia.
– Mãe, o que este papel está fazendo aqui? Perguntei.
– Havia uma aranha na pia.

Ela deslizava toda vez que tentava sair e eu quis ajudá-la, então eu fiz uma escada. Minha mãe respondeu.
– Acho que funcionou. Ela não está mais aqui. Respondi.

Retirei a “escada,” pensando em minha amiga Mildred.
Ela estava presa também, e eu já tinha trabalhado muito tentando levantá-la. Talvez o que ela precisasse fosse mais
como o que minha mãe tinha oferecido à aranha.

Em minha visita seguinte, Mildred outra vez perguntou,

– Por que?

Eu não tentei achar uma razão. Eu peguei em sua mão e, no silêncio, eu vi como a amizade pode ser uma escada.
Palavras ou explicações deixaram de ser necessárias, apenas a simples confiança da amizade e minha amiga Mildred percebeu
que não encararia sua luta sozinha.

Não deixe quem você ama, encarar uma luta como essa
sozinha…que a amizade pura seja a escada que lhe trará
uma alegria para toda vida…

Tradução de Sergio Barros

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