Coelho encanta as crianças em sessão de Terapia Assistida por Animais no HSVP
O coelho é um dos principais símbolos da Páscoa por representar a fertilidade, o nascimento e a esperança da vida. Esperança é o que muitos pacientes em tratamento no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo tem e renovam principalmente nesta época do ano. Na tarde desta terça-feira, 11 de abril, as crianças internadas na Pediatria receberam uma surpresa especial, que encantou, alegrou e espalhou o espírito de Páscoa.
A Residência Multiprofissional Integrada, projeto desenvolvido pelo HSVP em parceria com a Universidade de Passo Fundo e Prefeitura Municipal de Passo Fundo, dentro do projeto da Terapia Assistida por Animais (TAA) ou Pet Terapia, trouxe para o hospital um coelho que participou da sessão de TAA.
A ideia surgiu dos residentes do HSVP e dos residentes da Residência Profissional Integrada em Medicina Veterinária, parceiros do projeto da Pet Terapia e tem como objetivo alegrar as crianças com a presença do coelho nesta época de Páscoa. Sophie, a coelha que participou da ação foi avaliada pelos profissionais e a visita seguiu o protocolo que já é realizado com os cachorros.
“Trazer o coelho é uma experiência nova e a ideia foi em função da Páscoa. Acreditamos que assim como com os cães, o coelho proporciona um momento de lazer aos pacientes que estão internados há vários dias no hospital, humanizando o cuidado e diminuindo o estresse”, ressaltou a residente de Nutrição Bruna Bragagnollo.
A enfermeira responsável pela Pediatria do HSVP, Jovania Bessutti pontuou que o momento muda o comportamento das crianças e gera um resultado muito positivo. “Muitos estão internados por um longo período e essa interação com os animais traz para eles uma alegria muito grande. Nessa época, principalmente, que aumenta a expectativa deles em relação a Páscoa. Ao chegarem na sessão da pet eles se soltam, brincam com os animais, ficam mais calmos e felizes”, enfatiza a enfermeira, enaltecendo ainda que a interação paciente – animal acontece com o acompanhamento integral dos responsáveis envolvidos, sendo que a equipe conta com médicos veterinários, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e farmacêuticos.
A seleção e preparo dos animais é feita pelos residentes da Medicina Veterinária. Os animais são selecionados de acordo com seu perfil, se aceitam e gostam de carinho de pessoas estranhas e se sentem prazer em trabalhar ajudando o próximo. “Quando a Michelli Ataíde, coordenadora da residência Profissional Integrada em Medicina Veterinária falou da proposta de trazer a Sophie para o hospital eu logo topei. Tenho ela há um ano e está sendo muito bacana esta experiência”, comenta a proprietária da coelha, Maria Sendeski.
A visita do coelho foi aprovada e isso ficou aparente no rosto da crianças. De início tímidas e com receio, mas que logo foram se soltando e curtindo a presença do animal. Rejane da Luz, mãe da Nicole da Luz Varella, três anos, de Paim Filho, ficou surpresa com a reação da filha. Internada há um mês, a mãe relata que a experiência foi um momento de descontração para as duas. “Temos coelho em casa, mas ela tem medo e não quer pegar, mas aqui ela passou a mão e brincou.Gostei muito da iniciativa porque a gente se distrai, eles se divertem e ameniza um pouco o fato de estarmos no hospital”, destaca a mãe.
Assim como Nicole, Lucas Gabriel Dallazen, três anos, também adorou a visita do coelho. “Quando a enfermeira contou que o coelho de verdade vinha ele ficou muito ansioso. Hoje ele não queria sair do quarto de medo que o coelho viesse e que ele não estivesse. Esta iniciativa é muito boa, porque hoje ele estava mais triste e a visita já deixou ele mais feliz”, conta Sandra Machado, de Três de Maio, mãe do pequeno Lucas que está internado há dois meses. “Gostei muito do coelho, ele é muito lindo. Se ele passasse pelo meu quarto ou tentasse fugir eu ia pegar ele pelo rabo. Mas ele não fugiu”, relatou o menino empolgado.
Na quarta-feira, 12 de abril, ação será realizada também no CTI Pediátrico, com o objetivo de levar alegria e amenizar o sofrimento dos pacientes internados.
O que é Terapia Assistida por animais?
A TAA foi utilizada intuitivamente por William Tuke, em 1792, na Inglaterra, no tratamento de doentes mentais. O retiro de York, um tipo de instituição psiquiátrica, que mantinha animais em seus pátios arborizados nos quais os pacientes passeavam. Em 1867 a mesma técnica foi usada com pacientes psiquiátricos numa Instituição da Alemanha. No Brasil, o interesse pela TAA teve início ainda na década de 60, mas somente a partir de 1990 foram implantados os primeiros estudos científicos, iniciados com a Dra. Nise da Silveira, que relatou sua experiência no livro Gatos.
É importante salientar que a terapia com animais não promete a cura de doenças, mas por outro lado proporciona benefícios físicos e mentais aos pacientes, tais como: melhoria da capacidade motora, o equilíbrio de sustentar-se, dos sintomas da depressão, do sistema imunológico, diminui a ansiedade e a pressão sanguínea, aumentam a sociabilidade e sentimento de autoestima, melhor adesão ao tratamento e as habilidades de atenção.