Clima e estrutura estão dificultando a exportação da soja
A exportação de soja para a China está sendo prejudicada por diversos fatores. Segundo o engenheiro agrônomo, Emeri Tonial, neste ano, devido ao excesso de chuva, o centro-oeste do país atrasou o plantio e a colheita da soja, inclusive danificando estradas.
Com isso o grão demorou mais tempo para chegar aos portos e acabou acumulando os estoques de carregamento. Além da carga chegar acumulada, a chuva intensa no litoral, que abrange os portos de Santos (SP) e de Paranaguá (PR), está dificultando o carregamento, pois os navios devem ficar abertos para receberem o produto, e com excesso de água o trabalho fica parado.
Aliado a isso, neste ano, o Brasil superou a exportação de milho nos meses de janeiro e fevereiro, ocupando um dos dois pier’s disponíveis em cada porto. Sobre a especulação de que a China iria cancelar a compra de 2 milhões de toneladas de soja brasileira, Tonial acredita que isso não deva ocorrer, pois não há estoque suficiente em outros países, como os Estados Unidos, por exemplo.
O engenheiro destaca que os chineses estão sendo pressionados pelas indústrias devido o atraso na entrega do produto, porém, eles já sabiam que o Brasil tinha dificuldades logísticas.
Segundo Tonial, o custo de cada navio parado nos portos chega a 20 mil dólares ao dia.
Ele acredita que, pela quantidade de navios que estão parados no Brasil, hoje a soma dos custos ultrapassa 1 milhão de dólares ao dia. Ele estima que tenham cerca de 200 navios esperando para o escoamento.
Essa demora reflete em Passo Fundo, pois muitos produtores estão sendo prejudicados, inclusive com a retirada dos pontos da cotação de Chicago, pagos as boas produções, para abater os custos dos navios que estão esperando. Para Tonial, se o Brasil pretende continuar sendo um grande exportador de commodities o país terá que passar por mudanças logísticas.