Clima adverso desestabiliza o mercado da soja e produtores enfrentam desafios
A principal preocupação dos produtores é a variação climática extrema. Em algumas regiões, a falta de chuva compromete as lavouras, enquanto em outras, o excesso causa problemas. O tema foi assunto do programa Cotações e Mercado desta semana. Os especialistas e integrantes do programa afirmaram que a expectativa é de uma redução na produção de soja. Especialmente na América do Sul, devido às condições climáticas adversas, as quais afetam diretamente a produção de soja no Brasil e países vizinhos, como Uruguai, Paraguai e Argentina que atualmente estão enfrentando a seca, gerando incertezas e prejuízos aos produtores.
O engenheiro agrônomo Mario Klein, destaca a tendência de oferta e demanda na América do sul. “A América do Sul deve colher menos soja do que o previsto. Enfrentamos diversos problemas: no Mato Grosso do Sul, a seca é preocupante, enquanto, no Mato Grosso, há soja germinando na lavoura devido ao excesso de chuva. Ainda não é possível mensurar exatamente o tamanho do impacto, mas é certo que será significativo. No entanto, enquanto a colheita estiver em andamento, haverá pressão de oferta de que o mercado tende a reagir após o término da colheita, provavelmente por volta de maio.”
A expectativa é de uma menor oferta de soja, principalmente na América do Sul, devido às condições climáticas adversas. No entanto, a demanda da China continua forte, o que pode impulsionar os preços, enquanto outros preveem uma queda devido ao excesso de oferta global. Há divergência de opiniões sobre a tendência dos preços da soja. Alguns acreditam em uma alta devido à menor oferta e à demanda da China, além da influência política dos Estados Unidos devido a qual será o posicionamente de Donald Trump, que agora assume a presidência americana diante da China, o que também pode influenciar no preço da soja. Além disso os estoques globais de soja estão projetados para aumentar, o que pode pressionar os preços para baixo.
O cerealista Dilermando Rostirola, comenta da influência do posicionamento do governo americano no mercado agrícola. “Os Estados Unidos já anunciaram uma quebra na produção nacional, e o mercado, que estava na faixa dos nove dólares por bushel, já ultrapassou os dez. Porém, tudo dependerá de como o novo governo americano irá lidar com o mercado agrícola chinês. Todos sabemos que a China precisa de grãos para alimentar sua população, mas também querer exportar seus produtos. Entretanto, Trump já sinalizou que, pretende deixar de importar para China e passar a produzir no país, o que pode mudar significativamente a dinâmica do mercado,” finaliza.