Chuva semelhante à que atingiu RS e SC já ocorreu em Passo Fundo nos anos 80, revela agrometeorologista
Nos últimos dias, Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram assolados por um ciclone extratropical, causando grandes prejuízos, comunidades isoladas e, infelizmente, pelo menos 13 mortes. Outros fenômenos semelhantes já foram registrados no Estado na história, inclusive em Passo Fundo. É o que afirmou o agrometeorologista Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo, em entrevista na Rádio Uirapuru.
Ele explicou que os ciclones são formados pelo encontro de massas de ar com propriedades físicas muito diferentes em relação à temperatura e umidade. Esse encontro ocorre sobre o Oceano Atlântico e é o que ocasiona este tipo de fenômeno, com movimentos circulares. De acordo com Cunha, o termo “extratropical” faz referência à posição geográfica onde ele se forma, que está abaixo do Trópico de Capricórnio.
O agrometeorologista afirma que esses fenômenos são comuns, mas é raro que sejam de uma intensidade tão forte e que afetem uma área específica como aconteceu recentemente. A maioria deles começa e termina seu ciclo sobre o oceano. Já o atual ciclone causou grandes danos porque, além de ser intenso, atingiu o Litoral Norte do Rio Grande do Sul e o Litoral Sul de Santa Catarina, com grande quantidade de umidade que é colocada na atmosfera e ventos intensos causados pelo movimento circular.
Gilberto Cunha afirmou que algo semelhante a este fenômeno que causou transtornos e mortes em outras partes da Região Sul do Brasil pode acontecer em Passo Fundo, no sentido de chuvas em grande quantidade. De acordo com ele, esses eventos são mais frequentes em anos de El Niño, como 2023, aumentando a frequência dessas ocorrências na primavera.
Cunha afirma que já tivemos chuvas muito fortes durante El Niños de 1982 e 1983, 1997 e 1998, 2015 e 2016 em Passo Fundo, principalmente nos meses de setembro, outubro e novembro. O agrometeorologista lembra que, naquela época, muitas áreas não conseguiram colher a soja devido às chuvas excessivas.
Embora não sejam frequentes, ele alerta que esses fenômenos já foram registrados e ocorrem sim na região de Passo Fundo, principalmente por estar em áreas do sul do Brasil e na América do Sul.