Chimarrão: contra o frio e a preguiça
O inverno ainda não chegou no calendário, que marca o início da nova estação para a segunda quinzena deste mês, mas o frio já está mostrando a que veio. E, para enfrentar as baixas temperaturas, todo gaúcho conhece uma solução: o chimarrão. A bebida tradicional serve para aquecer o corpo e estimular a mente. Isso mesmo, alguns dos componentes da erva-mate são poderosos estimulantes, que ajudam a deixar a preguiça de lado e tornar os dias mais produtivos.
Mesmo não existindo ainda estudos conclusivos acerca da bebida, se consumida com moderação, é tida como saudável. A nutricionista do Hospital da Cidade de Passo Fundo, Nilva Marchionatti, explica que a erva-mate possui várias funções benéficas para o organismo, como a estimulante: “o chimarrão tem ação estimulante muscular e mental, atuando sobre o sistema nervoso e muscular combatendo a fadiga”. Ela ressalta ainda que a bebida auxilia na digestão, possui propriedades diuréticas e laxativas, tem efeito termogênico – que auxilia até mesmo no emagrecimento – e é antioxidante, retardando o envelhecimento.
E os benefícios não param por aí. Segundo a nutricionista, um estudo recente, realizado pela USP (Universidade de São Paulo), uma das principais do país, mostrou ação da erva-mate na prevenção e tratamento da aterosclerose, que é a doença causada pelo acúmulo de gorduras nas artérias. “Pesquisadores concluíram que a erva-mate contém praticamente todas as vitaminas essenciais para manutenção da vida, sendo esta rica em nutrientes importantes como alcaloides (cafeína, metilxantina, teofilina e teobromina), ácido fólico e vitaminas do complexo B, além de ser rica em vitaminas A, C, E e D, sais minerais (alumínio, fósforo, magnésio, e potássio), proteínas (aminoácidos essenciais), glicídios (frutose, glucose e sacarose) e lipídios (óleos essenciais)”, destaca Nilva.
Vilão ou mocinho?
As propriedades que contam em favor do chimarrão são muitas, mas existem especialistas no assunto que ainda desaprovam a bebida. Um dos motivos para isso é que quem toma o chimarrão diariamente acaba consumindo menos água e tendo problemas com a hidratação do organismo. Também o consumo em excesso pode ser prejudicial. Conforme Nilva, beber muito chimarrão pode causar queda de glicose – e este é o motivo para não consumi-lo em jejum. Já quem é diabético deve ter cuidado para comprar erva-mate sem adição de açúcar. Além disso, “a bebida deve ser evitada por hipertensos, devido a alguns componentes da erva-mate. Por ser uma bebida rica em cafeína, algumas pessoas com ansiedade, enxaquecas ou refluxo gastresofágico, podem não se sentir bem com o consumo”, sugere.
De olho na temperatura da água
Outra questão importante no consumo do chimarrão é a temperatura da água que, se for muito quente, poderá causar mais danos que benefícios. Água com temperatura acima dos 70ºC pode levar a lesões na parte interna da boca e nas papilas gustativas da língua, causando perda parcial do paladar. Ainda, pode contribuir para o aparecimento de tumores de esôfago. “A temperatura ideal é entre 65ºC e 70ºC, ou seja, não pode ferver. O consumo deve variar entre 1 a 1,5 litro de chimarrão ao dia, entre as refeições”, recomenda.
Amigo da dieta
A boa notícia para quem está querendo emagrecer e fazendo dieta é que pode consumir sim a bebida. O chimarrão é termogênico e, portanto, auxilia na aceleração do metabolismo e consequente queima de gordura. “Esse efeito chamado de termogênico aumenta e promove a lipólise, que é a quebra das células de gorduras. Aliado a uma dieta equilibrada e acompanhamento de um profissional adequado, pode ser utilizado como coadjuvante ao programa de emagrecimento”, salienta a nutricionista.
Porém, é preciso ter cuidado ao adicionar outros chás, que muitas pessoas colocam na água ou diretamente dentro da cuia. “A erva-mate possui vários componentes com diferentes funções. Por isso, deve ser avaliada a possibilidade da interação de outros chás à erva mate, pois poderá ocorrer eventuais efeitos colaterais. Para quem possui este hábito, é recomendado o rodízio dessas ervas ou chás e que seja evitado o uso por mais de quatro semanas a fim de evitar possíveis danos à saúde”, orienta Nilva.