Chapas do Boqueirão: profissão resiste ao tempo, mas trabalhadores sofrem com falta de abrigo
Se localizar em cidades diferentes pode ser um desafio para qualquer motorista, mas em especial aos do transporte de cargas. Hoje guiados por GPS, que oferecem uma rota calculada por um programa, mas não levam em consideração elevações de rua ou vias estreitas, os motoristas do transporte de carga muitas vezes são guiados para situações que causam problemas. Em Passo Fundo não são incomuns casos onde caminhoneiros, guiados pelo GPS, entram em ruas com uma forte subida e acabam sofrendo até acidentes.
Mas, muito antes do GPS, os caminhoneiros sempre contaram com o apoio dos populares “Chapas”. Estes profissionais ficam em pontos específicos das cidades e os caminhoneiros podem contratar os mesmos para apontarem o melhor trajeto até determinada empresa, bem como ajudarem na carga e descarga do caminhão.
Em Passo Fundo dois pontos tradicionais, sendo um em frente a Caravela, na entrada da cidade pelo Boqueirão, e outro no Trevo próximo da UPF, que leva ao Bairro São José , saída para Coxilha. No entanto, no ponto de “Chapa” do Boqueirão, os profissionais estão sem a casinha de abrigo há, pelo menos, seis meses.
A Uirapuru foi até o Boqueirão e conversou com um destes profissionais, chamado Hélio Ferreira. Morador da Grande Integração, o profissional conta que há pouco tempo o local chegou a ter 15 chapas, mas hoje não tem mais do que 6. Helio explicou que o ponto tem mais de 50 anos, tendo várias gerações de profissionais que tiraram o sustento familiar naquele local. Somente Hélio trabalha lá há mais de 20 anos.
Mesmo sem o abrigo, que foi retirado devido às péssimas condições, o grupo vai todos os dias, com frio ou chuva, para marcar o ponto e trabalhar. Hélio lembrou com carinho quando Passo Fundo tinha a fábrica da Brahma, que chegou a ter 18 chapas empregados quando aconteceu uma grande greve dos trabalhadores.
O grupo carregava até 14 mil caixas por dia nos caminhões. Hélio finalizou dizendo que, mesmo com GPS, o trabalho do Chapa é muito requisitado em Passo Fundo, mas o grupo precisa urgente de um abrigo enquanto aguardam os caminhoneiros.
Nestor Rossetto, representante de materiais de construção, também falou na Uirapuru sobre este importante trabalho. Explicou que conviveu com uma família trabalhadora do ramo em uma parceria que durou 32 anos, desde 1980. Os chapas casaram, tiveram filhos e estes seguiram no ramo.
Em 2013 Rossetto contou ter vendido 700 caminhões de materiais de construção na região. O grupo era contratado todo dia para ajudar a descarregar em até 26 prédios no ano de 2013. Nestor agradeceu aos trabalhadores e parabenizou o grupo por ainda se manterem na profissão, tão importante para o desenvolvimento da cidade através da construção e da indústria.