Cerca de 30 mil produtores sofrem com a crise do leite instalada no estado
A crise no setor leiteiro, que se instalou no Estado ainda em maio de 2013, com a primeira Operação Leite Compen$ado, atingiu o auge no final de 2014 e início deste ano.
E a corda arrebentou no lado mais fraco! Hoje, cerca de 20 mil produtores têm créditos a receber de indústrias que fecharam as portas – ou por falência ou interditadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) – e outros 8 mil, aproximadamente, enfrentam uma situação ainda mais grave: estão sem ter para quem entregar o produto. Muitos, inclusive, estão descartando o leite ou utilizando para a alimentação dos animais da propriedade.
Outro ponto que está tirando o sono dos produtores é o preço ofertado pelo litro do produto. Segundo dados da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), enquanto o custo para o produtor permeia, em média, os R$ 0,60 ao litro, empresas estão pagando entre R$ 0,65 e R$ 0,80 ao produtor, provocando uma queda de até 30% na lucratividade.
Conforme o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), Alexandre Guerra, essa baixa no valor do leite se deve, também, ao aumento da oferta do produto.
E os dados confirmam: enquanto, no Brasil, a produção aumentou em 6%, o Rio Grande do Sul teve um acréscimo de 11%, em um panorama em que o consumo nacional Per Capita alarga somente cerca de 2% ao ano. O Brasil, que na Balança Comercial é considerado um importador de Leite, precisa buscar mercado no exterior para aliviar os estoques internos.
A expectativa é que o cenário comece a melhorar a partir dos próximos meses. Fatores como a entressafra do leite – que atinge o mínimo da produção em abril, quando há menor oferta de pastagem ao gado; o retorno das aulas – que deve aquecer o consumo; e a compra de leite em pó gaúcho pelo Governo Federal, visando desafogar os estoques no Estado, são alternativas apontadas como possíveis luzes para quem atua no setor leiteiro. O Rio Grande do Sul é o segundo maior estado brasileiro em produção de leite.
Atrás apenas de Minas Gerais, dos 36,8 bilhões de litros estimados que foram produzidos em 2014, o estado é responsável por 8,8 bilhões, o que corresponde a 24% do total. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Passo Fundo, o município conta, atualmente, com cerca de 200 agricultores que mantém a atividade leiteira, produzindo, em média, 50 mil litros de leite por dia. Conforme informa o presidente do Sindicato, Alberi Paulo Ceolin, a coleta de leite na propriedade está acontecendo normalmente em Passo Fundo. Segundo ele, não há casos de inadimplência com os produtores, embora muitas tenham diminuído o valor pago pelo produto.
O Assessor de Políticas Agrícolas da Fetag-RS, Airton José Hochscheid, acredita que os produtores – e mesmo as indústrias – podem vislumbrar um cenário positivo pela frente. Mesmo com os prejuízos que as fraudes no leite trouxeram ao Estado, e com a possibilidade de muitos produtores desistirem de investir na cadeia leiteira, ele acredita que o Rio Grande do Sul vai dar a volta por cima.