Casos de violência aumentam pós-pandemia: viver no individualismo ou isolamento não é solução
Recentes casos de violência estão chamando a atenção. Dias atrás, em São Paulo, um frentista ateou fogo em um cliente de um posto de combustíveis após uma discussão por uma chave quebrada. No domingo (26), um adulto com uma menina nos braços invadiu o gramado do Estádio Beira-Rio e agrediu um jogador do Caxias. Ontem (27), um adolescente invadiu uma escola e matou a facadas uma professora. Outras pessoas ficaram feridas durante o ataque. Essa onda de violência sempre existiu, mas a impressão que fica é que aumentou pós-pandemia.
Para falar sobre o assunto, a Rádio Uirapuru conversou com o médico psiquiatra Dr. Carlos Hecktheuer. De acordo com ele, a situação que estamos vivendo, não só no Brasil, mas em todo o mundo, é preocupante. Isso porque há uma agressividade muito intensa de fato aumentando pós-pandemia. Hecktheuer afirma que já fez reflexões e se perguntou se essa agressividade está mais presente na atualidade. Ele chegou a conclusão que nunca houve uma grande insatisfação como a que vemos hoje.
O psiquiatra atribui isso ao aumento do individualismo, onde todos tentam resolver questões sozinhos, sem ligar para o outro. No caso da agressão do pai com a criança no colo no Beira-Rio, o psiquiatra afirma que o homem provavelmente não tinha noção do próprio comportamento e não conseguiu conter a decepção de uma derrota, extravasando nos outros uma sensação de raiva.
Hecktheuer declara que a humanidade chegou em um nível onde não consegue conter suas emoções. Com isso, a agressividade está parecendo um vício em drogas, uma dependência. O psiquiatra destaca que poucos ainda conseguem se segurar ou acalmar uma situação. Mas na maioria dos casos o que vemos são pessoas sobrecarregadas com supercargas de decepções, frustrações e ressentimentos com algo.
Hecktheuer também lembra que muitos comparam suas vidas com o que é visto na internet, televisão ou o cinema. Isso é errado, já que nunca atingiremos a perfeição. O psiquiatra ressalta que a vida é dura, é esforço, renúncia e aceitação, por isso precisamos aprender a conviver com as derrotas.
Para evitar casos graves de violência, Hecktheuer afirma que é preciso ficar atento aos sinais, se a pessoa está muito calada, indiferente a tudo e isolada. O psiquiatra também destaca que conversar sempre é a melhor opção, para não deixar a pessoa voltada para si mesma. O isolamento, viver só, não pode ser uma saída. Por isso, é preciso procurar oportunidades de aliviar-se um pouco, seja com amigos ou atividades que a pessoa se interesse.