Skip to content

Mundo

Caso Vinícius Júnior: educação e punição severa devem ser prioridades na luta contra o racismo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

No último domingo (21), mais um caso grave de racismo foi registrado na Espanha contra um jogador brasileiro de futebol. Durante um jogo, Vinícius Júnior foi chamado de “mono”, que significa “macaco” em espanhol, pela torcida do Valência. A partida chegou a ser interrompida. Porém, após o jogo retornar e seguir normalmente, Vini se envolveu em uma confusão com jogadores adversários e acabou expulso, mesmo sendo a vítima das agressões.

Na segunda-feira (22), o seu clube, Real Madrid, acionou a Justiça espanhola por crime de ódio e discriminação. Até os chefes de governo da Espanha e do Brasil repudiaram publicamente o episódio ocorrido em Valência.

Falando sobre o assunto na Uirapuru, o ativista do movimento negro em Passo Fundo e acadêmico de história, Ipácio Carolino, enfatizou que esse tipo de situação tem se tornado rotina nos últimos tempos e vem se agravando com a intensidade da violência racista no esporte, o que não é novidade.

Ele lembra que muitos casos parecidos já foram registrados, inclusive no Brasil, principalmente de 2014 para cá, aumentando gradativamente desde então. Carolino cita os casos de Taison, vítima de racismo na Ucrânia, mas também o caso de Tinga, em nível de Brasil, e do goleiro Aranha, ocorrido no Rio Grande do Sul.

Agora, Vinícius Júnior é vítima de ataques racistas na Espanha pela décima vez, segundo consta nos registros da internet. O ativista passo-fundense afirma que isso ocorre devido aos estádios de futebol terem assumido a condição de “arenas”, como se fossem arenas romanas, onde os jogadores entram armados com um sentimento não nobre para disputar uma partida de futebol, muitas vezes tornando-se protagonistas de violência. Quando isso se espalha para a torcida, Carolino afirma que é perdido o controle da situação.

Por isso, ele ressalta que é necessário que as autoridades se posicionem e apliquem punições severas e exemplares aos jogadores e torcedores que protagonizam esses “espetáculos de horror”. Carolino também afirma que o mundo está passando por uma onda mundial de fascismo que traz à tona fortemente as questões contra os negros. Independentemente da classe social, ele declara que o negro sempre será visto com uma condição inferiorizada pelos racistas.

Carolino destaca que o racismo acontece com todos os indivíduos de pele preta, de forma sutil ou mais violenta, sempre causando danos que não têm reparação emocional, psicológica e estrutural na humanidade. Para enfrentar isso, o ativista declara que é necessário ter boa vontade e trabalhar nas duas frentes fundamentais de combate ao racismo, que são a educação e a punição severa.

Conforme o ativista, é preciso trabalhar na base, o que demandará tempo para se notar diferenças, mas, por outro lado, também é necessário punir aqueles que têm a mente calcificada e não são capazes de se modificar. Ainda, ele afirma que a punição também deve ser pedagógica, uma pena educativa, aplicando sanções e reeducando as pessoas para que possam conviver de forma justa na sociedade.