Caso Maurício Dall Agnol: delegado da Polícia Federal afirma que novas fraudes semelhantes vão aparecer
O caso do ex-advogado Maurício Dall Agnol chamou a atenção do Brasil em 2014, revelando um esquema bilionário onde ele fechava acordos paralelos com empresas de telefonia, aceitando subornos para desistir de ações. Os advogados, de posse de plenos poderes dos clientes, faziam estes acordos e repassavam valores mínimos a eles, ficando com a maior parte.
Hoje Dall Agnol, que já foi preso pela Operação Carmelinda, responde a centenas de processos de seus clientes em liberdade. Mas ao que parece, ele não foi o único advogado do Estado a realizar este tipo de ação. Nos últimos dias, cinco advogados foram denunciados pela suspeita de enganar 147 clientes que processavam uma operadora de telefonia no Estado.
Segundo o Ministério Público, eles desistiram das ações que pediam indenizações em troca de R$ 9 milhões. As vítimas contrataram o advogado Evandro Montemezzo, de Taquara, que em maio deste ano teve bens e contas bancárias bloqueados pela Justiça.
Conforme o Ministério Público, o advogado Evandro Montemezzo recebeu os mais de R$ 9 milhões como suborno, repassados pelo Escritório Silva e Berthold, de Porto Alegre, que havia sido contratado pela operadora Oi, dona da antiga CRT. Entre os advogados que atuam no escritório, está o procurador de Justiça aposentado Ricardo de Oliveira Silva, denunciado junto com dois filhos e o sócio. Agora os acusados responderão por formação de quadrilha, patrocínio infiel, lavagem de dinheiro e falsidade documental.
O advogado da Polícia Federal Mário Vieira, em entrevista, destacou que situações de crimes como esta, são ramificações do caso Maurício Dal Agnol e da operação Carmelinda. Explicou que estes mais crimes irão aparecer nos próximos anos, já que muitos advogados enriqueceram de forma ilícita, roubando e se apropriando de alvarás de clientes fazendo esquemas criminosos, que aos poucos vão sendo denunciados e se tornando públicos.