Caso Jacir Potrich: nova audiência deve ocorrer no mês de outubro
Há nove meses um crime intriga a população gaúcha. No dia 13 de novembro o gerente do Sicredi de Anta Gorda, Jacir Potrich de 55 anos desaparecia depois de retornar de uma pescaria.
As últimas imagens do sistema de monitoramento do local onde o gerente de banco morava, registraram ele caminhando em direção a um quiosque no condomínio onde residia. O corpo de Potrich nunca foi encontrado.
Os bombeiros chegaram a esvaziar um açude, localizado a cerca de 30 metros da residência do desaparecido na tentativa de achar alguma informação sobre o paradeiro do gerente, mas nada foi encontrado.

No dia do desaparecimento o bancário teve uma rotina normal, trabalhou até as 15h, foi para casa e, mais tarde, saiu para pescar no açude.
De acordo com a polícia, a esposa de Potrich estava em um curso, em Passo Fundo, e o marido estava sozinho em casa. A pescaria era um costume que o gerente praticava com frequência, segundo o delegado que inicialmente cuidou do caso. No fim da tarde, ele limpou e guardou os peixes. Depois disso, o gerente de banco não foi mais visto.
Recompensa
Passados dez dias do desaparecimento, familiares de Potrich ofereceram recompensa de R$ 50 mil, para quem tivesse informações concretas sobre o seu paradeiro. Nenhuma revelação importante foi feita.
A prisão do suspeito
Em 23 de janeiro o principal investigado foi preso temporariamente em um apartamento de Capão da Canoa. O preso, o dentista Carlos Alberto Patussi, 52 anos é vizinho da vítima.
O investigado se manteve em silêncio quando chegou à Anta Gorda, não manifestando qualquer informação a respeito do caso. Sobre a motivação, a investigação apurou que as desavenças entre os vizinhos tiveram início no momento em que houve a troca de prédio da agência do Sicredi, onde o desaparecido era gerente.

No dia 31 de janeiro após pedido da defesa, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul concedeu habeas corpus para o homem apontado como responsável pelo desaparecimento do gerente bancário.
No dia 11 de abril, em um novo capítulo do caso envolvendo o desaparecimento e a morte presumida do gerente do Sicredi de Anta Gorda, Jair Potrich, o promotor André Prediger pediu a prisão preventiva de Carlos Alberto Patussi. A solicitação do promotor foi analisada pela juíza Jacqueline Bervian, que negou o pedido de prisão preventiva do dentista.
André Prediger apresentou no dia 12 de abril, um recurso em sentido estrito à 1ª Vara Judicial de Encantado para reformar a decisão que negou pedido de prisão preventiva de Patussi, denunciado pela morte do gerente do Sicredi de Anta Gorda. No recurso, o promotor de Justiça frisa que a prisão era necessária para a garantia da ordem pública, para a conveniência da instrução criminal e para a garantia da aplicação da lei penal. O MP ainda reiterou a necessidade da prisão em virtude da possibilidade do réu, que possui dupla cidadania e elevada condição financeira, poder deixar o país a qualquer momento para se ver livre das acusações e dos crimes que lhe são imputados.
A denúncia
No dia 24 de Abril a Polícia Civil entregou à Comarca de Encantado o inquérito que investiga a morte do bancário. O vizinho e até então amigo da vítima, Carlos Patussi, que já é réu no caso, foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
A polícia afirmou que “as razões do indiciamento são praticamente as mesmas” apontadas na denúncia do Ministério Público, aceita pelo Judiciário no último dia 11. As razões seriam então uma desavença pelo término do aluguel da agência do Sicredi no prédio de propriedade do acusado.
A segunda prisão do acusado
O suspeito de ter assassinado e ocultado o cadáver do bancário Jacir Potrich, do Sicredi de Anta Gorda, se entregou no Fórum de Encantado no dia 25 de Abril. No dia seguinte, 26 de abril, a Justiça do Rio Grande do Sul concedeu liberdade ao dentista Carlos Alberto Weber Patussi após o advogado do acusado entrar com um pedido de habeas corpus diante da prisão preventiva do mesmo. O dentista foi preso acusado de perseguir e intimidar familiares do gerente.
Conclusão do trabalho da Polícia Civil
De acordo com o Delegado Marcio Marodin o trabalho da Polícia Civil no caso foi concluído e não há fatos novos. “O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário e o suspeito foi denunciado e responde ao processo junto a Comarca de Encantado” disse Marodin a Reportagem da Uirapuru na última sexta-feira.
O que diz a defesa de Patussi
O advogado Paulo Olímpio, responsável pela defesa de Carlos Patussi disse a reportagem da Rádio Uirapuru que o indiciamento e a prisão de seu cliente criaram uma opinião pública de que o caso estivesse resolvido. “Dentro das possibilidades investigativas será cabalmente comprovado a impossibilidade de envolvimento de Carlos Patussi no caso”. Paulo Olímpio disse ainda que a denúncia é infundada, que não há provas nem materialidade do crime.
Em relação as imagens que mostraram Patussi mexendo nas câmeras de segurança de sua casa, Paulo Olímpio disse que a intenção do acusado era limpar os equipamentos. “Ele mesmo forneceu essas imagens a polícia”.
Olímpio informou ainda que está designada uma audiência sobre o caso para o dia 23 de outubro.
Família da vítima
A família de Jacir Potrich, que tem negócios na área de alimentação em Passo Fundo, foi contatada pela reportagem da Uirapuru na última sexta-feira, 16, e foi questionada sobre a demora na resolução do caso. O filho da vítima ficou de encaminhar respostas via WhatsApp, porém até o fechamento desta matéria não havia se manifestado sobre o caso.
