Caso Greice: sobrevivente deixa UTI e revive trauma ao saber da morte da irmã
A família de Greice Keli Marquês vive novos momentos de dor e indignação após o ataque registrado no último sábado (22) em Passo Fundo. Márcia Maria Marquês, irmã de Greice e também ferida por Misael Camargo, apresentou evolução clínica e deixou a UTI do Hospital São Vicente de Paulo. Ela foi transferida para o quarto nesta segunda-feira (24).
Segundo familiares, Márcia só pôde ser informada ontem sobre a morte da irmã. A notícia exigiu extrema cautela, já que as duas tinham um vínculo considerado materno: Márcia, mais velha, ajudou a criar Greice e era uma das pessoas mais próximas da vítima. A família relata que o impacto emocional foi devastador.
O motoboy Mateus Garcia Martins, que tentou intervir para socorrer as mulheres e também foi atingido por Misael, segue internado, conforme informações confirmadas pela reportagem.
Paralelamente, a Rádio Uirapuru obteve , com exclusividade, a decisão do juiz André Luis Ferreira Coelho que concedeu liberdade provisória a Misael Camargo, mesmo após a morte de Greice e as duas tentativas de homicídio. É a primeira vez que o conteúdo do despacho é divulgado em detalhes.
No documento, ao qual a Uirapuru teve acesso, o magistrado homologa a prisão em flagrante, mas indefere o pedido de prisão preventiva feito pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Embora reconheça a brutalidade do ataque, o histórico criminal extenso de Misael e o risco demonstrado pelo modus operandi, o juiz afirma que não existe “perigo atual” porque o acusado está sedado, intubado e em estado crítico na UTI do Hospital de Clínicas.
A decisão determina que Misael terá liberdade provisória assim que receber alta, devendo cumprir medidas cautelares como comparecimento em juízo, não sair da comarca, informar mudança de endereço e manter distância mínima de 300 metros das vítimas e familiares. O juiz também aponta que a conduta pode ser enquadrada como latrocínio, roubo seguido de morte, em análise preliminar.
Além disso, o juiz cobrou explicações da Brigada Militar sobre as lesões graves sofridas por Misael durante a contenção, determinando que a Polícia Civil investigue o ponto.
O magistrado também determinou que o hospital mantenha as autoridades informadas caso Misael deixe a UTI, mesmo antes da alta hospitalar, para que o caso seja reavaliado. A partir dessa atualização, o juiz poderá impor novas medidas cautelares ou até decretar a prisão preventiva, caso o acusado apresente melhora significativa no estado de saúde e volte a oferecer risco à ordem pública. A decisão destaca que a liberdade provisória concedida não é definitiva e depende diretamente da evolução clínica do investigado.