Brasil pode usar Terras Raras como moeda de negociação diante de tarifas dos EUA, aponta geólogo
Estamos passando por uma semana decisiva no que diz respeito às relações entre Brasil e Estados Unidos. As tensões se intensificaram devido à imposição de tarifas americanas de 50% sobre exportações brasileiras, que entram em vigor na próxima sexta-feira (01). Entretanto, algo que pode favorecer as negociações são os minerais estratégicos produzidos no Brasil, dos quais os EUA dependem para a fabricação de diversos itens. As chamadas “Terras Raras” têm ganhado destaque, especialmente após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defender a soberania mineral do país em um evento recente.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o geólogo Luiz Paulo Fragomeni explicou o que são essas terras raras e os impactos que elas podem ter em futuras negociações entre os dois países. Ele esclareceu que terras raras são óxidos utilizados como matéria-prima pela indústria na produção de uma variedade de materiais. Esses óxidos são compostos por cerca de 17 elementos químicos, que integram a família dos lantanídeos, além do ítrio e do escândio, usados em ligas metálicas e lâmpadas.
O especialista afirma que esses elementos são fundamentais para a transição energética em curso, pois possuem propriedades magnéticas, de condução e durabilidade, características que os tornam estratégicos. Fragomeni destaca que o governo norte-americano tem grande interesse nesses materiais, já que eles são a base para a indústria eletrônica na fabricação de telas, chips e outros componentes.
O geólogo ressalta que, sem acesso a esses elementos, torna-se extremamente difícil para os EUA produzirem diversos itens, como celulares, armamentos e veículos. Atualmente, a China detém cerca de 70% da produção mundial de terras raras e já utilizou esse recurso em negociações tarifárias com os Estados Unidos.
O Brasil aparece em seguida, com cerca de 30%, o que, na avaliação de Fragomeni, representa uma oportunidade estratégica para o país buscar um diálogo com o governo norte-americano visando à redução das tarifas.
Outro ponto abordado por Luiz Paulo Fragomeni é que esses materiais estão concentrados, principalmente, nas regiões Sudeste e Amazônica do Brasil.