Brasil não tem aparelhos homologados para detectar uso de substancias ilícitas por motoristas
Conforme dados da Associação Brasileira de Toxicologia (ABTox) divulgados nesta semana, em razão da Semana Nacional do Trânsito, quase 60% dos motoristas de ônibus submetidos a exame toxicológico no Brasil testaram positivo para uso de drogas. A cocaína aparece em primeiro lugar entre as substâncias psicoativas consumidas pelos motoristas, em segundo vem os opioide, em terceiro a maconha e a quarta são as anfetaminas, o chamado rebite.
Falando sobre o assunto na Rádio Uirapuru, o chefe do Núcleo de Policiamento e Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, Lúcio Finkler, relatou que na região de Passo Fundo a substância mais encontrada é o rebite e a cocaína, utilizado pelos motoristas para manter-se acordado por períodos longos. O policial enfatiza que, em condições severas de uso, a cocaína pode provocar alucinações aos motoristas, trazendo perigos para o trânsito.
Em relação a fiscalização, Finkler relata que quando o policial verifica que o motorista apresenta condições alteradas que não são decorrentes do consumo de álcool, o mesmo pode fazer um termo de constatação dizendo que o condutor está dirigindo em condições alteradas por outras substâncias. As consequências são as mesmas que se o motorista estivesse feito o teste do etilômetro e dado positivo. Além disso, o condutor paga multa e dependendo do caso o motorista é apresentado na Polícia Civil. A partir dai o trâmite é exatamente o mesmo quando o condutor que é flagrado alcoolizado ao volante.
O policial relata que existem equipamentos que detectam substâncias como a cocaína e maconha, porém no Brasil não há aparelhos aptos e homologados. A PRF adotou testes com esse equipamento e esses testes fazem parte de um estudo para homologar o aparelho mais adequado que vai passar a fazer parte da rotina da fiscalização policial para, além do álcool, detectar o condutor que está sobre efeitos de substanciais ilícitas.