Brasil não resolverá escassez dos fertilizantes sem fornecedores de outros países, alerta engenheiro agrônomo
O presidente Jair Bolsonaro afirmou na semana passada que haverá desabastecimento no ano que vem por causa da escassez de fertilizantes no país. Ele disse ainda que a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) está elaborando um plano emergencial para solucionar o problema. A Uirapuru noticiou este assunto de maneira pioneira dentro do programa Cotações e Mercado há mais de 30 dias, quando a ameaça começou a surgir no setor.
Em entrevista na Uirapuru, o engenheiro agrônomo Lamar Sakis, que integra a equipe do Cotações e Mercado, declarou que essa também é uma questão privada das indústrias de fertilizantes, principalmente insumos que são utilizados na lavoura e defensivos.
Segundo Sakis, o Brasil tem algumas fontes de minerais para fazer adubo, não todas delas, então dependemos da importação de produtos de outros países.
O engenheiro agrônomo explicou que na China e alguns países asiáticos um sistema de bandeiras foi implementado para controlar a emissão de gases causadores do efeito estufa. Essas bandeiras têm classificação das cores verde, amarelo e vermelho. Quanto maior o problema da emissão de gases, mais restrito fica a oferta de energia pelo governo e a maioria das indústrias param sua produção. De acordo com ele, boa parte das empresas que estão hoje em bandeira vermelha são de fertilizantes defensivos.
Lamar Sakis afirma que essa dificuldade grande na oferta dos produtos e o grande aumento no preço do frete marítimo estão influenciando na escassez de fertilizantes no Brasil.
Por esses motivos, o engenheiro agrônomo declarou que não vê o Governo Federal resolvendo o problema apenas com a produção local, porque não temos matéria-prima para fazer todos os fertilizantes que são utilizados. Além disso, ele afirma que o Brasil precisa dos fornecedores de outros países, então a saída para resolver esse problema não será fácil.