Banco do Brasil amplia medida que liquida dívidas de agricultores familiares
O Banco do Brasil decidiu ampliar a medida contida em duas resoluções do Banco Central baixadas no final do ano que liquida em até 10 mil reais dívidas contraídas por agricultores familiares e assentados da reforma agrária junto ao Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) e Programa de Geração de Emprego e Renda Rural Familiar (Proger Rural Familiar).
O anúncio da extensão da medida foi feito no final de fevereiro pelo vice-presidente de Agronegócio e Micro Empresas do Banco do Brasil Osmar Dias durante encontro com representantes de entidades representativas da agricultura familiar no gabinete do ministro do Desenvolvimento Agrário, MDA. Agora, mais 300 mil famílias com dívidas em linhas de crédito do Pronaf não contempladas na Resolução 4299, de 30 de dezembro de 2013, terão dívidas liquidadas em até R$ 10 mil.
A discussão sobre o abatimento para a liquidação e renegociação das operações contratadas mediante linhas de crédito firmadas por clientes da reforma agrária e agricultura familiar, via Pronaf, transcorreu durante o ano passado, envolvendo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), movimentos sociais e parlamentares ligados ao setor.
A solução definitiva para o endividamento de assentados e agricultores familiares veio com a edição da Medida Provisória 636, no final do ano, com definição posterior de duas resoluções do Banco Central para autorização do rebate e renegociação de dívidas, com prazo de liquidação até 31 de dezembro de 2014. As condições firmadas na Resolução 4299 para solucionar a inadimplência de produtores com saldo devedor de até R$ 10 mil são as de que estejam enquadrados em créditos do Pronaf e Proger Rural; sejam operações contratadas até 30 de junho de 2008; operações de custeio e investimento com risco parcial ou integral das instituições financeiras e que estejam sob amparo de linhas de investimento para Sistemas Agroflorestais, Pronaf Mulher e do FNO, FNE e FCO.
BB liberou R$ 144,8 bi em crédito para o agronegócio
A carteira de crédito de agronegócio do Banco do Brasil aumentou 11,3% no quarto trimestre de 2013, para R$ 144,8 bilhões. Em um ano, a expansão foi de 34,1%, acima da projeção do banco de alta de 24% a 28%.
O BB ampliou, conforme nota da instituição, sua liderança no segmento de agronegócio, atingindo 66,1% conforme os dados do Sistema Nacional de Crédito Rural. Destaques para as operações de crédito agroindustrial, que atingiram saldo de R$ 34,6 bilhões, evolução de 60,9% em 12 meses.
Na safra 2013/2014, os desembolsos efetuados somam R$ 42,3 bilhões e são 27,2% superiores se comparados ao mesmo período da safraanterior. Destaques para agricultura empresarial e agricultura familiar com desembolsos de R$ 34,1 e R$ 8,3 bilhões, respectivamente.
Para 2014, o BB espera que o maior crescimento dentre as suas carteiras de crédito venha do segmento do agronegócio. A instituição espera que os empréstimos para esta linha avancem no mínimo 18% e no máximo 22%.
Financiamento rural em alta
A instituição é uma das mais conservadoras no modo como opera, mas adaptou seus diversos produtos para as necessidades do campo. O gerente da agência central do Banco do Brasil, Milton Girardi, explicou que atualmente o governo tem grande interesse no financiamento rural. Ele destacou que o perfil do produtor da região é empresarial, mas existe uma boa parcela de agricultores familiares.
Ambos os perfis recorrem aos financiamentos, sendo que mesmo em época de juros altos, como agora, a maioria dos bancos cobra no máximo 4,5% de juros ao mês, com prazos de até 15 anos e início do pagamento após 90 dias. Estas facilidades têm mantido o setor aquecido, mesmo em épocas de inflação.
Girardi destacou, ainda, que estas condições só são possíveis por meio de ações do governo, que traz condições para que os Bancos ofereçam crédito a juro baixo e prazo longo. Para 2014, as previsões são de ótimo movimento no setor, visto que a safra teve uma pequena quebra, por conta da estiagem, forçando alguns produtores a recorrerem aos bancos para custear despesas.