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Geral

VÍDEO: Avanço da computação quântica exigirá nova arquitetura de segurança até 2030, aponta IBM

Públicado em Por RD Uirapuru / Arthur Costa

A chegada da computação quântica promete transformar radicalmente áreas que vão desde a segurança cibernética até a medicina. As projeções foram detalhadas por Wagner Arnault, CTO da IBM no Brasil, durante o segundo dia do South Summit 2026. Em entrevista à Rádio Uirapuru, o executivo explicou como a tecnologia tornará os sistemas de criptografia atuais obsoletos até o fim desta década, exigindo adaptação imediata do mercado.

O principal ponto de atenção é a segurança financeira. Segundo Arnault, a capacidade de processamento das novas máquinas permitirá que dados hoje protegidos sejam facilmente acessados. Ele destacou que instituições como Bradesco e Itaú já trabalham em parceria com a IBM para desenvolver uma “criptografia pós-quântica”. O risco mais urgente, de acordo com o CTO, não está nas complexas redes de blockchain das criptomoedas, mas nos sistemas bancários tradicionais. Estes utilizam senhas curtas e métodos de embaralhamento de dados mais frágeis, que a IBM estima que poderão ser quebrados pelos computadores quânticos até 2030.

Para ilustrar o salto tecnológico, Arnault comparou a computação clássica a uma moeda que cai em “cara ou coroa” (os bits zero e um). Já o computador quântico operaria como a moeda girando no ar, processando múltiplas variáveis simultaneamente através dos “qubits”. Esse poder de cálculo reduzirá simulações de moléculas, que levariam até dez anos em máquinas comuns, para apenas algumas horas. Na área da saúde, o impacto já é real. A Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, utiliza a rede quântica da IBM para pesquisar novos medicamentos e otimizar tratamentos para doenças graves, como câncer e HIV.

Apesar dos avanços, o uso doméstico dessa tecnologia não deve ocorrer nas próximas décadas. O executivo esclareceu que o foco atual é a supercomputação quântica aliada à nuvem. A IBM já possui mais de 80 computadores quânticos acessíveis remotamente, democratizando o acesso de empresas e pesquisadores a essa infraestrutura de ponta sem a necessidade de aquisição do hardware físico.