Autorização para produção de IFA e vacinas para covid-19 em laboratórios veterinários é acertada, diz especialista
O Senado aprovou na quarta-feira (23) um projeto que autoriza estabelecimentos fabricantes de vacinas veterinárias a produzir imunizantes contra a Covid-19 e o ingrediente farmacêutico ativo (IFA).
A proposta, do senador Wellington Fagundes (PL-MT), já havia sido aprovada pelo Senado, mas teve de ser votada de novo pelos senadores porque foi modificada na Câmara. Com a aprovação desta quarta, seguirá para sanção presidencial.
Pelo texto, os estabelecimentos veterinários terão de cumprir as mesmas normas sanitárias e exigências de biossegurança exigidas dos estabelecimentos que produzem as vacinas de uso humano.
De acordo com o professor doutor em virologia, Luiz Carlos Kreutz, no Brasil existem muitos laboratórios que produzem vacinas para o uso veterinário. No entanto, a tecnologia e a segurança necessária para produzir o IFA são altos. O país possui três plantas que detém dessa tecnologia e segurança, portanto, na visão do professor, o senador tomou uma decisão acertada ao utilizar essas estruturas.
Conforme Kreutz, a maioria desses laboratórios eram utilizados para a fabricação de vacinas contra a febre aftosa. Como não há mais vacinação contra a doença no Brasil, esses espaços passaram a ficar subutilizados. Os locais possuem alta capacidade de produção de antígenos e uma biossegurança alta. Desse modo é extremamente viável utilizar os laboratórios para a produção de IFA e imunizantes contra a covid-19, nesse momento de emergência.
O Rio Grande do Sul não possui nenhum laboratório capacitado e seguro para produzir o IFA ou as vacinas, de acordo com o professor. Ele explica que a iniciativa é pioneira, pois não se recorda de ações como essa no passado ou em outros países. Kreutz explica que as exigências para se produzir vacinas é a mesma, tanto na área humana, quanto veterinária.