Autismo além do diagnóstico: Especialistas da Revitális explicam caminhos para inclusão
Abril é marcado como o mês da conscientização sobre o autismo, período em que campanhas ao redor do mundo buscam informar e sensibilizar a sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, profissionais da clínica Revitális ressaltaram a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado para garantir qualidade de vida às pessoas dentro do espectro.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, especialistas destacaram os desafios enfrentados por famílias e a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso a terapias. A psicóloga Kauana Osório explicou que a campanha Abril Azul busca sensibilizar a sociedade sobre a inclusão e o respeito aos autistas. Segundo ela, o TEA se divide em três níveis de suporte: leve, moderado e severo, cada um demandando diferentes graus de assistência para atividades diárias.
A fonoaudióloga Bruna Xavier Ferreira enfatizou que o atraso na fala pode ser um indicativo, mas não um fator determinante do autismo. Ela apontou que o desenvolvimento da linguagem segue marcos específicos, como o balbucio entre seis e nove meses, as primeiras palavras por volta de um ano e a formação de frases aos dois anos. A ausência ou regressão desses avanços pode ser um alerta para os pais.
A psicopedagoga Angelita Freitas destacou o papel da educação lúdica no aprendizado de crianças autistas. Ela afirmou que estratégias adaptadas ajudam na inclusão escolar e no desenvolvimento das habilidades cognitivas.
A psicomotricista Liliane de Campos explicou que o TEA pode afetar o controle corporal, levando a desafios relacionados à hipotonia, lateralidade e coordenação motora. Segundo ela, a psicomotricidade auxilia a criança a entender seu corpo e a interagir melhor com o ambiente.
A Psicopedagoga Fabíola Di Dômenico ressaltou que o autismo é uma condição neurológica presente desde o nascimento, embora os sinais possam se tornar mais evidentes com o tempo. O diagnóstico é influenciado pelas podas neurais, que ocorrem no primeiro ano de vida e impactam o desenvolvimento.
O acesso ao tratamento ainda é um desafio. Um ouvinte relatou a dificuldade financeira para custear terapias e a falta de preparo das escolas para atender alunos autistas. Os especialistas reforçaram a importância de um suporte multidisciplinar, que inclui psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos e neuropediatras. “O autismo não tem cura, mas intervenções precoces e adequadas garantem uma melhor qualidade de vida”, afirmou uma das profissionais.
A clínica Revitális, localizada no bairro Cidade Nova, em Passo Fundo, oferece avaliação e acompanhamento terapêutico. Atendimentos podem ser realizados por convênios, incluindo Unimed, CACI e Capacemo. A equipe reforça que a observação dos primeiros sinais do TEA e a busca por orientação profissional são fundamentais para um desenvolvimento mais harmonioso.