Aumento da ansiedade e depressão eleva demanda em clínicas e unidades de saúde pública
Dados do Ministério da Saúde mostram que houve aumento no atendimento de pessoas com sintomas de ansiedade e depressão, de 955% nos ambulatórios e públicos do Estado, desde 2018. No caso da ansiedade, na faixa etária dos 13 aos 29 anos, foram mais de 1,3 mil atendimentos em 2018, número que saltou para 14 mil em 2023.
E os atendimentos nos consultórios de psicólogos mais do que dobrou a partir da pandemia e entre os problemas mais comum estão a ansiedade e a depressão. Os dados reforçam que, cada vez mais, as pessoas estão buscando ajuda da psicoterapia para enfrentar problemas relacionados à saúde mental, embora o preconceito em relação a terapias ainda seja muito grande. O Sem Segredo de sábado ouviu a coordenadora do Núcleo Passo Fundo da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, Fernanda Felippo, e a mestre em psicologia e professora da Atitus Kelin Aparecida da Silva.
Para as duas profissionais, nem todo mundo precisa passar pela psicoterapia. É necessário que a pessoa identifique se aquele problema ou sofrimento que ela está passando precisa ser resolvido com a ajuda de um profissional. O que é muito difícil, especialmente se ela estiver rodeada de outras pessoas que acham que é coisa da cabeça, que vai passar, que é perda de tempo ou está colocando dinheiro fora. Para Fernanda Felippo a principal condição para buscar ajuda é perceber o grau de sofrimento. De outra parte, também aquela pessoa que está com uma dúvida ou questionamento, mesmo sem sofrimento, pode buscar a mesma ajuda, porque a psicoterapia atua em diversas áreas. Pode ajudar no desempenho esportivo, na escolha profissional ou numa mudança de vida.
Estatisticamente, as mulheres procuram mais ajuda de um profissional da área do que os homens. E, nos consultórios, os homens tem muito mais dificuldade de falar o que sentem. Segundo a professora Kelin Aparecida, isso ocorre muito por conta da formação do indivíduo, porque ainda há o estereótipo do homem que não pode chorar e que tem que ser forte. Já a mulher busca mais suporte em relação a saúde em todos os sentidos. Kelen também deu dicas de como perceber quando algo não está bem e que é hora de pedir ajuda, especialmente relacionado a ansiedade. Os principais sinais são sudorese excessiva, pensamentos acelerados, insônia e preocupação em demasia com situações corriqueiras.