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Política

Audiência Pública debate desafios e políticas de saúde para pessoas com Diabetes Tipo 1

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

A Comissão Especial de Saúde Pública da Câmara de Vereadores, realizou na noite desta segunda-feira, uma Audiência Pública para debater políticas de saúde e os desafios enfrentados por pessoas com diabetes mellitus Tipo 1. O encontro reuniu especialistas, representantes de entidades, familiares e vereadores.

A reunião foi conduzida pela presidente da Comissão, vereadora Ada Cristina Munaretto (PL). A mesa oficial foi composta pelo médico endocrinologista Dr. Pérsio Stobbe, representante do Acampamento das Crianças com Diabetes; pelo médico endocrinologista Dr. Tiago Fritzen; pela representante do Conselho Municipal de Saúde, Angelita Rezende; pela representante do Grupo de Mães de Diabéticos de Passo Fundo, Heloisa Fiori Ciarin; e pela vereadora Regina Costa dos Santos (PDT).

A vereadora Ada destacou a relevância do tema e apresentou dados que demonstram a dimensão do problema no país. Segundo ela, 13 milhões de brasileiros convivem com o diabetes, e o Brasil é o terceiro país do mundo em número de crianças e adolescentes com a doença. A parlamentar reforçou que a audiência tem o propósito de qualificar o debate e contribuir para a construção de políticas públicas que promovam melhor qualidade de vida às pessoas com diabetes Tipo 1.  “É nossa responsabilidade discutir soluções que atendam às necessidades reais dos pacientes e de suas famílias”, afirmou.

O endocrinologista Dr. Pérsio Stobbe chamou atenção para as consequências da falta de acompanhamento adequado. Ele explicou que a expectativa de vida de crianças com diabetes Tipo 1 pode ser reduzida em até 25 anos quando o tratamento não é contínuo e apropriado.
“Se não houver cuidados adequados, dificilmente uma criança diabética chegará aos 50 anos”, alertou, defendendo ações públicas que garantam suporte e acompanhamento especializado.

Já o Dr. Tiago Fritzen defendeu a criação de protocolos com critérios bem definidos para o fornecimento de bombas de insulina e sensores de glicose pelo poder público. Ele ressaltou que esses protocolos devem ser elaborados de forma conjunta entre profissionais da saúde, entidades representativas e o próprio poder público, garantindo critérios justos e maior eficiência no atendimento.

Segundo o especialista, a atuação do poder público é essencial para organizar o fluxo de acesso, reduzir desigualdades e diminuir a judicialização — que, segundo ele, além de gerar custos elevados, muitas vezes não assegura a continuidade do tratamento.  “Precisamos de critérios técnicos claros, construídos coletivamente, para assegurar que bombas e sensores cheguem aos pacientes que realmente têm indicação. A judicialização onera o sistema e nem sempre resolve o problema. Por isso, é fundamental que o poder público assuma esse protagonismo”, afirmou.

Relatos reforçam urgência no acesso às tecnologias

A representante do Grupo de Mães de Diabéticos de Passo Fundo, Heloisa Fiori Ciarin, relatou as dificuldades enfrentadas diariamente por pessoas com Diabetes Tipo 1 e suas famílias. Ela compartilhou experiências com convulsões, limitações no trabalho e a necessidade de vigilância constante devido ao risco de hipoglicemias graves.

Heloisa destacou que, apesar de já ter recorrido à Justiça, mantém o tratamento graças a doações para o uso de bomba de insulina e sensores contínuos. Reforçou que o uso dessas tecnologias não é conforto, mas sobrevivência e dignidade humana, evitando hospitalizações, sequelas e mortes.
“O custo do tratamento adequado é muito menor do que o custo humano e financeiro das complicações do diabetes”, defendeu.

Durante as manifestações do público, mães e pacientes relataram episódios de cetoacidose, hipoglicemias severas, internações recorrentes e a constante insegurança provocada pela falta de acesso regular aos insumos necessários. Eles também destacaram como sensores e bombas transformam a qualidade de vida, oferecendo mais segurança, autonomia e prevenção de complicações graves — e defenderam que esses dispositivos sejam disponibilizados pelo sistema de saúde.

A técnica em enfermagem Mariete Scarioti, mãe de uma portadora da doença, sintetizou o sentimento dos demais participantes ao destacar a importância do monitoramento contínuo: “O uso de sensores de glicose devolve aos portadores de diabetes a sua dignidade e a capacidade de desempenharem suas atividades do dia a dia normalmente, sem precisar esperar a manifestação dos sintomas para então fazer a medição e aplicarem a insulina”, afirmou.

Outro ponto reforçado pelo público foi o apelo para que os parlamentares atentem aos desafios diários enfrentados pelas pessoas com Diabetes Tipo 1. Os participantes ressaltaram a urgência de políticas públicas que garantam acesso contínuo, regular e adequado às tecnologias e aos cuidados indispensáveis ao controle da doença, assegurando mais segurança, autonomia e qualidade de vida aos pacientes.

Também participaram da audiência os vereadores Cláudio Luiz Rufa Soldá (Progressistas), Edgar Gomes (PSDB), Eva Valéria Lorenzato (PT), Iriel Sachet (Podemos), Marina Bernardes (PT) e Renato Orlando Tiecher (PL).