Audiência do Senado na Expodireto discute crédito de carbono e futuro da renda no campo
Uma audiência pública da Comissão de Agricultura do Senado Federal do Brasil integrou a programação do último dia da Expodireto Cotrijal 2026, realizada na sexta-feira, 13, no Auditório Central do parque da feira, em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. A atividade é considerada tradicional no encerramento do evento e reúne autoridades, produtores rurais e lideranças do agronegócio para debater temas ligados à produção rural e ao desenvolvimento do setor agropecuário brasileiro. Entre os assuntos discutidos estiveram a regulamentação do mercado brasileiro de carbono, políticas para o agronegócio, questões relacionadas ao endividamento rural, juros, financiamentos agrícolas, seguro rural e estratégias para fortalecer a agricultura no país.
Durante a cobertura da Rádio Uirapuru, foram entrevistados o presidente da Copagril, Podkowa, e o senador Luis Carlos Heinze, que participaram do debate. A audiência pública discutiu principalmente a regulamentação da Lei nº 15.042, sancionada em 2024, que trata da criação do mercado regulado de créditos de carbono no Brasil, além de abordar oportunidades de renda para produtores rurais e mecanismos de preservação ambiental vinculados à atividade agrícola.
O senador Luis Carlos Heinze destacou que o debate sobre crédito de carbono ocorre no âmbito da Comissão de Agricultura do Senado e busca aproximar os produtores rurais das oportunidades que surgem com a regulamentação do mercado. Segundo ele, a experiência de cooperativas que já trabalham com o tema demonstra que o crédito de carbono pode se tornar uma nova fonte de receita para o setor agropecuário, ao mesmo tempo em que contribui para a preservação ambiental.
O parlamentar também afirmou que outros temas relevantes para o campo devem ser discutidos durante a audiência pública, como a situação das dívidas dos produtores, o custo dos financiamentos, o seguro agrícola e projetos voltados ao fortalecimento da agricultura. Heinze mencionou ainda que autoridades estaduais e federais têm tratado dessas questões em Brasília, buscando mecanismos que permitam ampliar investimentos em áreas como irrigação, manejo do solo e políticas de incentivo ao desenvolvimento da agricultura gaúcha.
Já o presidente da Copagril, Eloi Darci Podkowa, explicou que o mercado de crédito de carbono está em processo de regulamentação no Brasil e representa uma oportunidade para os produtores rurais ampliarem sua renda. Ele afirmou que a geração de créditos está relacionada à adoção de práticas agrícolas que reduzam emissões de carbono e aumentem a capacidade do solo de capturar carbono, o que pode ser monitorado por sistemas de rastreamento e análise técnica das propriedades.
Podkowa também detalhou que o processo envolve avaliação da regularidade ambiental da propriedade, análise química e física do solo e acompanhamento das práticas utilizadas pelo produtor. Conforme o dirigente, empresas que precisam compensar emissões de carbono poderão adquirir esses créditos, e já existe interesse de grupos internacionais nesse mercado. Ele acrescentou que cooperativas trabalham na certificação dos projetos para garantir credibilidade e permitir a comercialização dos créditos, criando uma nova alternativa econômica para os agricultores.