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Cidade

Áreas de risco geológico são mapeadas em Passo Fundo: informações serão usadas em estratégias de prevenção

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) iniciou na terça-feira (4) o mapeamento das áreas de risco em Passo Fundo. O trabalho é desenvolvido pelas geólogas Ana Cláudia Viero e Raquel Barros Binoto, em parceria com o corpo técnico da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC).

O levantamento contempla as ocupações Floresta, Bela Vista, Vista Alegre, Entre Rios, Victor Issler e José Alexandre Zachia, consideradas zonas de inundação, além de locais com risco de deslizamento, como o bairro Manoel Portela e a Rua João Petracco. A Rádio Uirapuru acompanhou a ação na Ocupação Floresta, no bairro São Luiz Gonzaga.

O coordenador da COMPDEC, Fernando Carlos Bicca, explicou que o serviço marca o início da concretização de um trabalho técnico aguardado há anos e que representa um avanço importante para o município. Ele destacou que o levantamento feito pelo Serviço Geológico do Brasil terá continuidade com um mapeamento mais amplo conduzido pela Prefeitura, que pretende identificar as famílias residentes nessas áreas, compreender suas vulnerabilidades e criar estratégias para ações de socorro e prevenção com base em dados mais confiáveis.

Bicca ressaltou que as áreas visitadas já enfrentaram alagamentos em diferentes períodos de 2023 e 2024, o que reforça a urgência do diagnóstico. Segundo ele, muitas das casas atingidas estão localizadas a menos de 30 metros do leito do rio, dentro da faixa considerada de inundação natural, o que aumenta o risco para os moradores.

O coordenador também afirmou que a retirada dessas famílias é um objetivo da Defesa Civil, mas que o processo exige estudos técnicos e planejamento cuidadoso para garantir alternativas seguras de realocação. Atualmente, Passo Fundo possui cerca de 300 residências em áreas de inundação e, nas chuvas de maio de 2024, 122 delas foram diretamente atingidas, algumas com condenação total das estruturas.

A geóloga Ana Cláudia Viero explicou que o trabalho do Serviço Geológico do Brasil consiste em visitar os locais previamente identificados pela Defesa Civil como suscetíveis a inundações ou deslizamentos, avaliando o grau de risco de cada área. Ela destacou que o objetivo é verificar a frequência com que as moradias são atingidas e classificar os níveis de risco, atualizando os levantamentos já existentes.

A partir desses dados, a Prefeitura poderá planejar medidas preventivas mais precisas para evitar que as populações sejam atingidas novamente. Ana Cláudia reforçou que o mapeamento precisa ser atualizado de forma periódica e que o envolvimento da comunidade é essencial, já que os moradores contribuem com informações sobre a frequência e a intensidade das inundações.

Já a geóloga Raquel Binoto informou que o Serviço Geológico do Brasil é uma empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia e que o trabalho em Passo Fundo é financiado com recursos do Governo Federal, sem custos para o município. Ela destacou que as prefeituras participam do processo oferecendo informações locais e acompanhando as visitas de campo.

Raquel explicou ainda que o SGB desenvolve outros projetos complementares, como cartas geotécnicas e estudos de suscetibilidade, que fornecem subsídios técnicos para o planejamento urbano e o controle da ocupação em áreas inadequadas, como margens de rios e encostas íngremes.