Após condenação, ainda cabem recursos para envolvidos no caso Bernardo
A semana foi marcada por mais uma grande cobertura da Rádio Uirapuru. Deste o último domingo (10) a repórter Cissa Battistella e o advogado criminalista Jabs Paim Bandeira estiveram em Três Passos acompanhando e trazendo informações sobre o caso Bernardo. O Júri começou na segunda-feira, quando as primeiras testemunhas começaram a ser ouvidas. Ao todo 14 pessoas foram interrogadas entre acusação e defesa, o que durou até quarta-feira (13).
No mesmo dia começaram a ser ouvidos os réus. Leandro Boldrini foi o primeiro a falar, muito frio, calculista e sem mostrar arrependimento nenhum pela morte de Bernardo. Na quinta-feira (14) a madrasta Graciele Ugulini deu a sua versão dos fatos, alegando que medicou o menino sem a intenção de matá-lo. Edelvânia depôs na mesma linha de Graciele e sustentando que nada foi planejado. Ambas inocentaram Boldrini, alegando que ele não participou do crime. Por último, Evandro Wirganovicz relatou os fatos em um depoimento cheio de emoção, afirmou convicto de que não teria feito a cova para que Bernardo fosse enterrado.
Terminada a fase de interrogatórios, começaram os debates. A acusação teve seis horas entre explanação e réplica, assim como a defesa. Foram diversos momentos de muita emoção enquanto a acusação relembrava os últimos passos de Bernardo, a forma como o crime foi consumado e ressaltaram a frieza dos envolvidos. Nesta sexta-feira enquanto o resultado do julgamento era esperado, Cissa Battistella conversou com o advogado Marlon Taborda que foi o primeiro jurista que teve contato com o processo por parte da acusação, sendo que ele foi contratado pela avó do menino. Com a morte dela, Taborda precisou abandonar o caso.
Durante a entrevista do advogado deu uma declaração forte. Disse que enquanto estava se dirigindo para acompanhar o último dia de Júri ele ouviu em uma emissora de rádio que a população de Três Passos não queria se manifestar sobre o caso, estavam receosos e dizendo que quem devia falar era a Justiça. Taborda afirmou que vendo essa situação veio na sua memória a negligência das pessoas com Bernardo, quando o menino era vivo. Segundo ele, era exatamente desta forma. Ninguém se pronunciava, ninguém intervia na situação, diziam que a família que deveria tomar uma atitude.
Ao sair as sentenças, ficou definido que Leandro Boldrini pegou 33 anos e 08 meses de reclusão. Mais multa. Graciele Ugulini: 34 anos e 07 meses de prisão. Mais multa. Edelvânia Wirganovicz: 22 anos e 10 meses de reclusão. Mais multa. E Evandro Wirganovicz: 09 anos e 06 meses de reclusão em regime semiaberto. Após conhecidas as sentenças do Júri o advogado Jabs Paim Bandeira fez um balanço do caso e afirmou que os condenados devem cumprir um terço da pena e depois podem reivindicar progressão de pena.
O advogado ressaltou o bom trabalho da Promotoria na junção das provas, que foram incontestáveis e resultaram na condenação dos quatro envolvidos. Paim Bandeira explicou que a condenação foi em primeira instância e ainda cabem recursos da decisão do Júri. O jurista afirmou que não tem dúvida que as defesas vão entrar com recursos.