Após 24 anos do ataque de 11 de setembro, medo de ataques terroristas ainda molda políticas e segurança mundial
Hoje (11) completam-se 24 anos dos atentados terroristas de 2001 nos Estados Unidos. Naquele dia, quatro aviões foram sequestrados por membros da Al-Qaeda: dois atingiram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, um colidiu contra o Pentágono, em Washington, e outro caiu em um campo na Pensilvânia. Os ataques deixaram quase 3 mil mortos e desencadearam mudanças profundas na segurança mundial e na política externa norte-americana.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, a professora do curso de Direito da UPF, Doutora em Direito Internacional, Carla Della Bona, destacou que o 11 de Setembro mudou a forma como o mundo encara as imigrações e intensificou o medo do terrorismo. Segundo ela, após os atentados, legislações em diversos países passaram a ser mais rígidas quanto ao controle da entrada de estrangeiros, inclusive no Brasil. A professora também ressaltou que o ataque teve cunho religioso, o que fez dele um ato massivo não apenas contra os Estados Unidos, mas contra o Ocidente de maneira geral.
No Brasil, a entrada de imigrantes tornou-se mais restrita, principalmente em regiões consideradas sensíveis, como a Tríplice Fronteira, em Foz do Iguaçu, que faz divisa com a Argentina e o Paraguai. A partir de então, o país adotou medidas mais severas para dificultar a circulação de pessoas e mercadorias que pudessem representar riscos à segurança nacional, especialmente em uma região marcada pela forte presença da cultura árabe. Esse movimento de maior vigilância, iniciado em 2001, segue influenciando as políticas migratórias até hoje.
Nos últimos anos, os Estados Unidos voltaram a endurecer o controle de fronteiras, ampliaram as checagens de segurança e intensificaram deportações em massa, principalmente de imigrantes latino-americanos. Embora apresentadas como medidas de proteção nacional, essas ações geraram críticas de organizações internacionais de direitos humanos, que apontam violações e separações de famílias. A professora destacou que os reflexos também chegaram à América Latina, inclusive ao Brasil, que registrou um aumento no número de cidadãos deportados, evidenciando que o impacto do 11 de Setembro ainda está presente, mais de duas décadas depois.