Após 16 anos em Passo Fundo, redução de senegaleses é vista como movimento natural da comunidade, explica representante
A comunidade senegalesa começou a chegar a Passo Fundo por volta de 2009, quando o país de origem enfrentava uma das maiores crises financeiras de sua história. A crise teve início em 2007, como reflexo de uma conjuntura econômica global, precipitada pela falência do tradicional banco de investimentos dos EUA, o que impactou diretamente o continente africano. Como consequência, o crescimento econômico do Senegal e de outros países foi projetado para apenas 1,5% em 2009, levando o Fundo Monetário Internacional (FMI) a recomendar ajuda para combater os efeitos da crise.
Diante desse cenário, alguns senegaleses começaram a procurar outros países para reconstruir suas vidas e proporcionar uma melhor qualidade de vida a seus familiares. Durante entrevista à Rádio Uirapuru, o presidente da Associação dos Senegaleses de Passo Fundo (ASPF), Aliou Thiam, explicou como tem sido essa evolução na região Norte do Rio Grande do Sul ao longo desses 16 anos.
Segundo ele, até o ano de 2019, que antecedeu a pandemia, a associação registrava cerca de 400 senegaleses vivendo em Passo Fundo. No entanto, esse número vem caindo nos últimos anos, e hoje a média é de aproximadamente 150 a 200 pessoas. Aliou ressalta que a mobilidade entre municípios e estados faz parte da cultura migratória, sendo motivada principalmente pela busca por melhores oportunidades de trabalho, de acordo com as qualificações adquiridas. Em outros casos, o retorno ao Senegal se dá por necessidade familiar.
Entre as principais funções exercidas pela comunidade senegalesa em Passo Fundo estão: encanadores, chapeadores, soldadores, mecânicos, costureiros, vendedores, técnicos em eletrônica e informática. O presidente da associação destaca que, a cada dia, mais pessoas têm buscado profissionalização e cursos que auxiliem na evolução de suas carreiras.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pela comunidade é a falta de uma sede própria para a associação. Desde sua fundação, em 2014, ainda não foi possível construir um espaço para realizar reuniões. Embora contem com uma mesquita utilizada por muitos, o local é pequeno e não comporta encontros maiores.