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Expointer

Anúncio na Expointer prevê R$ 12 bilhões para dívidas rurais e R$ 20 bilhões de reforço financeiro

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A abertura da 48ª Expointer, nesta sexta-feira (5), foi marcada por protestos de produtores rurais no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A expectativa pela presença dos ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, mobilizou o parque e resultou em manifestações contrárias durante seus discursos, que foram recebidos com vaias. Os agricultores pressionaram por soluções para o endividamento acumulado após sucessivas estiagens. Como forma de protesto, coroas de flores e balões pretos foram colocados na pista central do evento para simbolizar a gravidade da crise no campo.

O ministro Carlos Fávaro abriu seu pronunciamento reconhecendo as dificuldades enfrentadas pelos produtores. Ele anunciou a destinação de R$ 12 bilhões do Tesouro Nacional para a repactuação das dívidas e informou que a Medida Provisória prevê ainda um estímulo adicional de R$ 20 bilhões ao sistema financeiro. Segundo Fávaro, os agricultores poderão renegociar os débitos com um ano de carência, sendo a primeira parcela vencida em 2027, em até nove prestações. Os juros subsidiados vão variar entre 6% e 10% ao ano. Ele também criticou a taxa Selic de 15%, que considerou desproporcional à inflação, e lembrou uma medida semelhante do segundo governo Lula, quando R$ 80 bilhões foram destinados para repactuar dívidas. O ministro avaliou que as medidas permitirão que os bancos retomem o Plano Safra.

Em seguida, o ministro Paulo Teixeira confirmou o anúncio e detalhou o alcance da proposta. Ele afirmou que 95% dos agricultores familiares, 95% dos médios produtores vinculados ao Pronamp e 87% dos grandes produtores serão beneficiados. Os juros definidos são de 6% para pequenos, 8% para médios e 10% para grandes. Teixeira disse que as medidas não solucionam todos os problemas, mas representam um esforço possível do governo. Ele acrescentou que a proposta seguirá para análise do Congresso Nacional, onde poderão ser discutidas outras fontes de recursos, como emendas parlamentares.

O governador Eduardo Leite também discursou e defendeu a legitimidade do movimento dos produtores, que reivindicam alternativas diante de quatro estiagens severas em seis anos. Ele criticou o que classificou como tentativa de politização das manifestações, afirmando que isso não ajuda na busca por soluções. Diante de vaias, citou sua trajetória política para reforçar sua posição.

Leite apresentou ações já adotadas pelo governo estadual, como a redução em 50% do reforço da segurança na zona rural e melhorias em estradas. Sobre a Medida Provisória federal, considerou que representa um avanço, mas avaliou que os R$ 12 bilhões podem não ser suficientes para atender todas as demandas. O governador pediu que a União leve em conta a dimensão real da crise e ressaltou que a dor dos agricultores é concreta e não deve ser ofuscada por disputas políticas. Ele concluiu colocando-se à disposição para trabalhar em conjunto com o governo federal para garantir que todos os produtores sejam contemplados.