Anderson Salomão é acusado de aplicar golpe do bilhete premiado na região sul do Estado
Os moradores de Passo Fundo lembram das duas operações deflagradas no ano passado pelos agentes da Delegacia da Polícia Federal, comandados pelos Delegados Mauro Vinicius Soares de Moraes e Mario Luiz Vieira. Foram as duas ações da polícia passo-fundense onde mostrou que tanto ladrão de galinha como vigaristas do colarinho branco vão para a cadeia.
A primeira operação foi a Carmelina, que desbaratou uma quadrilha liderada pelo advogado suspenso da OAB Maurício Dal Agnol. Maurício ficou cinco meses recolhido no Presídio Regional e através de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) conseguiu a liberdade provisória.
A segunda ação desencadeada pela Polícia Federal foi a Operação “Filhos de Davi”, quando no dia 29 de setembro de 2014 resultou na prisão do Anderson de Azevedo Salomão, 32 anos, dono da empresa Azevedo Salomão Empreendimentos Imobiliários.
Liberado pela Justiça
O empresário Anderson teve a prisão preventiva decretada pelo Juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca de Passo Fundo, Orlando Faccini Neto, devido ser acusado de aplicar um golpe de mais R$ 11 milhões no setor imobiliário do município. Vários inquéritos policiais ainda estão tramitando na Delegacia da Polícia Federal, onde é apontando pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, coação, ameaça a testemunhas e principalmente formação de quadrilha.
No judiciário gaúcho também tramitam dezenas de ações contra a empresa Azevedo e Salomão. Dentre elas, ações indenizatórias, de rompimento de contratos e fraudes nas vendas de imóveis.
Durante uma audiência realizada no dia 03 de dezembro do ano passado, o mesmo Juiz que decretou a prisão de Salomão, acabou deferindo o pedido de medida cautelar solicitado pelos advogados de defesa e concedeu a sua liberdade provisória.
Para ter esse beneficio, Anderson Salomão afirmou que iria efetuar o pagamento das dívidas e também iria cumprir algumas exigências, como a comprovação de residência e telefones fixos e o recolhimento domiciliar das 20h às 06h. Caso não respeitasse o horário, ele poderia ser abordado pela Brigada Militar ou Polícia Civil e ser reencaminhado ao Presídio Regional.
O fato é que até o dia de hoje, dia 21 de maio, ele não teria efetuado pagamento às vítimas do golpe.
Golpe do Bilhete
No dia 13 de maio último, uma mulher de 60 anos de idade estava caminhando no centro da cidade de São Lourenço do Sul/RS, quando foi abordada por um homem branco, rosto redondo, olhos arregalados, usava boné e estava mal vestido. O “ maltrapilho” disse para a mulher que era deficiente pois teria sido acometido de meningite quando criança e precisava de ajuda para encontrar uma casa veterinária, localizada na rua Almirante Barroso.
O suposto “deficiente” abraçava a vítima e implorava ajuda. Do bolso da camisa, tirou um bilhete de loteria dizendo que estava premiado e pertencia a um médico veterinário que prestava serviço em sua propriedade localizada no interior daquele município. Mesmo a mulher afirmando que não conhecia essa pessoa ele continuou insistindo. Começou a contar detalhes da visita que teria recebido deste veterinário o qual teria almoçado em sua residência, etc.
Prêmio era de 1 milhão e meio de reais
Nesta hora apareceu um segundo homem com pinta de doutor, bem vestido e educado se identificando como um funcionário de uma loja conhecida naquela cidade. O homem bem vestido se inteirou do assunto e imediatamente com bilhete na mão ligou do seu aparelho celular para uma lotérica, onde acabou confirmando que realmente o bilhete era premiado.
Após essa ligação, que foi feita no viva voz, o homem convidou a mulher e o suposto deficiente para irem até a lotérica. Foram com um carro de cor preta. Durante o trajeto, a vítima comentou que os dois homens conversavam muito sobre a importância de se confiar nas pessoas. Ao parar em frente à agência, o homem bem educado ligou mais uma vez, no viva voz e falou com uma mulher, que se identificou como sendo a gerente da Caixa Econômica Federal. Ela confirmou que o bilhete estava premiado no valor de 1 milhão e meio de reais.
A partir daí o suposto “doente” disse que daria R$ 100 mil à vítima, porém precisa de uma garantia no valor de R$ 5 mil. Assim, ela sacou primeiramente R$ 1.500,00 e entregou para o golpista. O trio seguiu de carro até parar em outra agência, onde a mulher faria outro saque com o restante do dinheiro. Quando a vítima estava se aproximando do banco caiu na real e se flagrou que tinha entrado em um golpe. Ela correu até o gerente pedindo ajuda. A Brigada Militar foi acionada mas a dupla já havia fugido em um carro escuro.
O reconhecimento
Conduzida até a Delegacia da Polícia Civil de São Lourenço do Sul, registrou a ocorrência de estelionato.
Na Delegacia a vítima foi convidada a olhar todos os álbuns de fotografias, bem como as fotos do computador. Ela então, reconheceu Anderson de Azevedo Salomão, como sendo o indivíduo que se apresentou como sendo deficiente e ter tido meningite quando pequeno e, ter em sua posse um bilhete premiado.
A Rádio Uirapuru conversou na tarde de ontem, 21, com o delegado da Delegacia de Policia de São Lourenço, Edson Vinícius Ramalho, o qual afirmou ter instaurado inquérito para investigar o caso. Lembrou que este deve tramitar em paralelo com os demais processos em andamento aqui em Passo Fundo.
Nota de esclarecimento referente a matéria Anderson Salomão
A defesa de Anderson de Azevedo Salomão vem esclarecer, a respeito de publicação feita no site desta emissora, que repudia por inteiro o teor da notícia.
Trata-se de acusação completamente infundada, resultado de lamentável equívoco no ato de reconhecimento por fotografia. O Sr. Anderson Salomão não tem qualquer relação com o fato narrado pela vítima e sequer esteve na cidade de São Lourenço do Sul, distante quase 500 quilômetros de Passo Fundo.
Aproveita para registrar que matérias como a presente, que dão divulgação a fatos em fase prematura de investigação e sem o mais ínfimo fundamento, acabam por lesar gratuitamente a imagem do investigado e, assim, impedir que ele tenha sucesso nos intensos esforços para recuperação das dificuldades financeiras que atravessa.
Pp. Antonio Lourenço Pires de Oliveira – OAB/RS 8.701
Pp. Rodrigo Moraes de Oliveira – OAB/RS 41.700
Pp. Fabio Roberto D’ Avila – OAB/RS 39.546