Anderson de Azevedo Salomão ficará recolhido no Presídio Regional de Passo Fundo
O empresário Anderson de Azevedo Salomão, 32 anos, acusado de um golpe no setor imobiliário no valor de pelo menos R$ 11 milhões, foi recolhido, no final da tarde de quinta-feira (25), ao Presídio Regional de Passo Fundo. Com prisão preventiva decretada pelo juiz da 2ª Vara Criminal da comarca de Passo Fundo Orlando Faccini Neto, o empresário foi preso quarta-feira à tarde pela Policia Federal na cidade de Balneário Camboriú-SC.
A prisão havia sido solicitada pela Polícia Federal e Ministério Público Estadual. Com forte aparato policial, o acusado foi conduzido para a Delegacia da Polícia Federal de Passo Fundo, aonde chegou no camburão por volta das 17h. Assim que a porta traseira do veículo se abriu, ele foi recebido por populares e vítimas de seus golpes com gritos de: “vigário, vigário” e “ladrão, ladrão”.
As pessoas que estavam em frente a sede da Polícia Federal aplaudiram os policiais. Anderson de Azevedo Salomão prestou depoimento, passou pelo exame de corpo delito e depois encaminhado a uma sela comum do Presídio, onde ficará à disposição da justiça.
Investigação aponta estelionato, falsificação de documentos e ameaças
O delegado Mário Luiz Vieira, responsável pela investigação, revelou que o empresário estava como prisão preventiva decretada por estelionato, mas é investigado por falsificação de documentos públicos, coação, ameaças, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O delegado revelou que o empresário, dono da empresa Azevedo Salomão Empreendimentos Imobiliários, lesou inúmeras de pessoas com transações imobiliárias fraudulentas.
Ele explicou que o acusado firmava contrato de compra e venda de imóveis com clientes, mas não pagava ou fazia com cheques sem fundo. De posse da procuração, ele rapidamente vendia os imóveis, inclusive com preços muito abaixo do valor de mercado, e já passava escritura para os novos compradores, sem pagar os antigos proprietários.
Segundo a Polícia Federal, quando os proprietários dos imóveis não passavam a escritura, o documento e a procuração de compra e venda, eram falsificadas. Com isso, o empresário conseguia transacionar os imóveis. . “Não foi só o Anderson que participou. Ele foi explorado nessa organização criminosa”, afirmou o delegado. A polícia investiga ainda como os documentos eram falsificados e autenticados.
O promotor público, Marcelo Pires disse que ainda não é possível precisar o número de vítimas. Segundo ele, 15 inquéritos já estão prontos, mas agora com a prisão do empresário, pessoas que foram lesadas e estavam com medo, já estão procurando a polícia.
“Isso não ocorria em maior número até agora, porque existia a coação, a ameaça, por parte do acusado e seu grupo. Com ele atrás das grades as vítimas se sentem aliviadas e com liberdade para denuncia-lo”, analisou Pires. Além disso, declarou que foi coincidência as prisões de Dal Agnol e Salomão, de duas operações distintas, terem ocorrido na mesma semana. “No caso de Anderson Salomão ficou claro durante o inquérito que ele tinha intuito de ludibriar as pessoas, com documentos falsos, se apropriando de seus bens”, registrou.
O chefe da Delegacia da Policia Federal, Mauro Vinicius Soares de Moraes disse que, além da Salomão, outras pessoas que faziam parte do esquema, devem ser presas. O delegado estima que o valor dos golpes aplicados pelo acusado chega a pelo menos R$ 11 milhões. A mãe do empresário, Melânia de Azevedo Salomão foi indiciada nos inquéritos pelos mesmos crimes cometidos pelo filho.
O delegado Mauro Vinicius Soares de Moraes comemorou as prisões nesta semana de dois criminosos do colarinho branco. Maurício Dal Agnol preso na segunda-feira e Anderson de Azevedo Salomão. Para ele, isso deixa claro para a sociedade passo-fundense que para esse tipo de gente só tem um lugar: o Presídio.
“A cidade diz não a criminalidade em massa, onde diversas pessoas foram lesadas para que elementos inescrupulosos pudessem desfilar com carrões importados, jatinhos e uma vida ostentação, à custa, muitas vezes, de pessoas pobres”, afirmou. O delegado ponderou ainda que a comunidade pode ficar tranquila que o trabalho está apenas no início. “Aqui não tem lugar para tais elementos. A resposta está sendo dada. A primeira meta foi alcançada. Tiramos a liberdade de quem ousou contra a comunidade de Passo Fundo”, disse o delegado.
Para o promotor público, Álvaro Poglia as prisões demonstram que a lei não deve atingir apenas a senzala, mas também a casa grande. Anderson de Azevedo Salomão foi recolhido ao Presídio, onde está uma de suas vítimas, o advogado Maurício Dal Agnol.
Vítimas relatam como foram enganadas
Desde que a prisão de Anderson de Azevedo Salomão foi efetuada pela Polícia Federal, dezenas de pessoas procuraram a Rádio Uirapuru se dizendo vítimas do acusado e demonstrando alívio pela prisão. Ainda receosas em se identificar, relataram como acabaram sendo ludibriadas. Confira alguns depoimentos:
Perdi R$ 3 milhões
“Eu realmente estou com um processo contra ele, por um roubo em uma fábrica que eu tinha. Eles roubaram tudo. Era alugada e como não tinha documentação em ordem, eu não conseguia colocar funcionar e eu não tinha guarda nessa fábrica. E eu ia produzir uma linha de produtos em Passo Fundo. Nós estávamos pressionando. A prefeitura não liberava os documentos. Quando chegamos, numa segunda-feira, tinha sumido tudo. Ele tinha a chave e sumiram todas as máquinas. Eram seis carretas entre equipamentos e produtos semi-acabados. Os advogados estão trabalhando, mas é muito complicado. Eu estou na expectativa. Mas meu prejuízo foi de 3,3 milhões. Sem contar que estou a um ano correndo atrás para tentar reaver minhas coisas. Mas sumiu tudo. Estamos aguardando que a justiça resolva isso”.
Meu pai perdeu R$ 18 mil
“Meu pai trabalhou com ele por três anos de domingo a domingo, fazendo casas. Ele logrou com 18 mil reais e fez ameaças se fosse à justiça”.
Comprou e não recebeu
“Tenho uma sobrinha que comprou uma casa e ele não entregou o imóvel. Perdeu R$ 15 mil reais que deu de entrada”.
Planos de uma vida foram arruinados por ele
“Geralmente chegavam em pessoas com situação financeira agravada. Faziam promessas de compra. Ele e a esposa. Compravam os imóveis em cheques, em 6 a 10 vezes, e vendiam esses imóveis pela metade do preço à vista. As pessoas que não passavam a escritura, ele ia atrás e pressionava, tentava na marra. Tanto que comigo foi assim. Como eu conheço ele há mais de 20 anos, eu não assinei esses papéis pra ele. Tudo está no meu nome. Agora, o que posso dizer é que está de parabéns a Rádio Uirapuru, está de parabéns a Polícia Federal porque foram planos de vida de várias pessoas que ele desgraçou. Acredito na Polícia Federal. Um órgão que não se corrompe”.
Entreguei meu imóvel
“Mais uma ação da Polícia Federal em conjunto com a Uirapuru, que defende seus ouvintes e aclama o que o povo está pedindo, que é a prisão de uma pessoa que lesou e destruiu várias famílias em Passo Fundo. Com a compra ou a venda do imóvel dessas pessoas que nunca saiu do chão. Entreguei meu imóvel para ele e não pagou nenhum cheque. Esse cara tem mais de 400 cheques sustados de compra de imóveis. Acredito que passe de 20 milhões de reais o que deve em Passo Fundo”.