Alunos da UPF constroem avião radiocontrolado para competição de AeroDesign
Acadêmicos do curso de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Universidade de Passo Fundo (Fear/UPF) projetaram e estão construindo um avião radiocontrolado para participar da 17ª Competição SAE Brasil AeroDesign, que será realizada de 29 de outubro a 1º de novembro, em São José dos Campos, em São Paulo. A equipe da UPF foi intitulada de Aerocócus e participará na categoria Regular.
A competição de engenharia envolve estudantes universitários de graduação e pós-graduação em engenharias ligadas à mobilidade. As avaliações serão realizadas em duas etapas: competição de projeto e competição de voo, conforme o regulamento baseado em desafios reais enfrentados pela indústria aeronáutica.
Cada equipe participante tem como finalidade projetar, documentar, construir e fazer voar um avião radiocontrolado. Os acadêmicos da UPF projetaram uma aeronave de 12 quilos, já considerados os nove de sua capacidade de carga, com 1,5 metro de comprimento e 2,5 metros de uma ponta da asa até a outra. A estrutura do equipamento utiliza materiais como fibra de carbono, fibra de aramida e madeira balsa.
O objetivo da equipe é construir um avião leve, mas que seja resistente e que carregue no mínimo nove quilos. “Nossas equipes, até então, só tinham trabalhado com alumínio, que é o metal mais leve. Arriscamos, nesta edição, fazer a estrutura do avião com fibra de carbono. O avião também tem fibra de aramida para conter o fogo em caso de incêndio. Também estamos utilizando a madeira balsa, que é leve e resistente, muito utilizada no segmento da aviação radiocontrolada”, explica o professor da Fear/UPF e coordenador do projeto Rodrigo Santana, que sempre destinou seus estudos à engenharia mecânica na área da aeronáutica.
A competição não exige alcançar grandes altitudes, o importante é completar o circuito de tráfego, carregar a maior quantidade de peso e respeitar a metragem de decolagem e pouso. Entre as novidades do regulamento deste ano está a distância máxima de decolagem, estabelecida em 70 metros. Esse limite será utilizado pela primeira vez na competição, representando o maior limite de toda história da SAE Brasil AeroDesign. “São avaliados a acuracidade do projeto, a localização do centro de gravidade do avião, a tolerância da área das asas do avião, a parte construtiva, os ensaios de voos, a simulação numérica, entre outros aspectos”, salienta Santana.
O nome da equipe “Aerocócus” é baseado em uma gíria utilizada na aviação. “O pessoal da equipe que idealizou o projeto tem muita afinidade com a engenharia aeronáutica ou com a aviação. Muitos pilotos falam que são contaminados pela bactéria aerocócus, porque quando voam pela primeira vez se apaixonam à primeira vista pela aviação”, revela o coordenador do projeto.
O cronograma de ações iniciou em fevereiro deste ano e segue até o final de outubro, quando acontece a competição. Além de projetar e construir, os 12 acadêmicos selecionados para integrar a equipe farão testes de voos antes da data do evento. “O projeto saiu melhor do que imaginávamos devido ao capricho dos alunos. O sucesso dessa iniciativa é resultado da dedicação deles. Temos outros projetos paralelos, mas estamos com os pés no chão e fazendo algo inédito aqui na Engenharia Mecânica”, enfatiza Santana.
A construção da aeronave integra um projeto multidisciplinar. Os acadêmicos foram divididos em duplas para executar cada uma das subáreas do projeto (estrutural, aerodinâmica, desempenho, grupo motopropulsor, estabilidade e controle, materiais e processos de fabricação. “Por mais que sejam áreas diversas, elas estão diretamente ligadas e qualquer decisão pode influenciar em todos os estudos. Manter a harmonia da equipe foi indispensável para o sucesso do projeto”, ressalta o capitão da equipe Aerocócus Rogério Rodrigues da Silva Filho, 24 anos, acadêmico do curso de Engenharia Mecânica.
Diferenciais da aeronave
Todas as etapas para a idealização da aeronave foram matematicamente projetadas e simuladas em um software. Além da experiência da utilização da fibra de carbono, o grupo idealizou um formato de asas que beneficia a aerodinâmica, com o objetivo de promover maior estabilidade. Um dos diferenciais também é a parede de fogo, localizada no motor. “Utilizamos nesse local a fibra de aramida, que, além de estar presente em coletes à prova de balas, também é usada como revestimento dos tanques dos carros de Fórmula 1, para o fogo não propagar”, destaca o coordenador do projeto.
Expectativas
A expectativa é alcançar uma colocação inédita para a Instituição. “As universidades que costumam ganhar essa competição estão há 15 anos participando. Não é a primeira vez que a UPF participa, mas nunca alcançamos uma colocação tão significativa. Temos quase cem equipes inscritas e esperamos estar entre os 20 primeiros”, estima Santana.
Os alunos da UPF competirão com outras 64 equipes. “É a primeira competição desse nível de todos os alunos da equipe. Competir com universidades de todo o Brasil e equipes tradicionais será um grande desafio. Fizemos um projeto sério e cuidamos de todos os detalhes possíveis. Tenho certeza de que temos um avião competitivo”, declara o capitão da Aerocócus.
Competição amplia conhecimento acadêmico
A Competição SAE Brasil AeroDesign incentiva a ampliação do conhecimento acadêmico e alia conceitos teóricos e práticos. “Essa competição é muitas vezes a ‘porta de entrada’ para estudantes de engenharia ao projeto aeronáutico que, ao meu ver, ainda é pouco difundido no Brasil e é de grande importância para o desenvolvimento tecnológico do país”, afirma o capitão da equipe.
A competição
A 17ª Competição SAE Brasil AeroDesign tem 95 equipes inscritas, sendo 89 do Brasil, cinco da Venezuela e uma do México. As equipes somam aproximadamente cerca de 1,3 mil participantes – entre estudantes, professores orientadores e pilotos –, oriundos de 71 instituições de ensino superior do Brasil e do exterior. A competição, organizada pela Seção Regional São José dos Campos, da SAE Brasil, abrange três categorias: Classe Regular, Classe Advanced e Classe Micro.
Integrantes da Equipe Aerocócus
Rodrigo Santana (coordenador do projeto)
Rogério Rodrigues da Silva Filho (Capitão)
Moacyr Fauth da Silva Neto
Renan Strapazzon
Fernando Guimarães
Vinicius Bianchini
Daironi Mognon
Guilherme Andreolla Monteiro
Andrew Zanotelli Castelan
Angelo Zanatta
Jefferson Luiz Mendonça Júnior
Leonardo Dossa
Yuri Severo