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Economia

Alta do dólar impacta o dia a dia da população e deve encarecer produtos nas próximas semanas

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo

O dólar ultrapassou a marca de R$ 6, atingindo um novo patamar histórico e gerando preocupações entre economistas e consumidores nas últimas semanas. Essa valorização da moeda americana tem efeitos imediatos na economia brasileira, desde o aumento dos preços de produtos importados até o encarecimento de itens essenciais, como alimentos e combustíveis, cujos insumos dependem de importações.

Além de pressionar a inflação, o dólar alto também afeta o poder de compra das famílias e gera desafios para empresas que dependem de matérias-primas e tecnologias do exterior.

Em entrevista à Rádio Uirapuru, a economista e professora da Atitus Educação, Giana Mores, destacou que o aumento do preço do dólar reflete uma combinação de fatores globais e internos do país. De acordo com ela, no cenário internacional, a taxa de juros nos Estados Unidos atrai investimentos para lá, fortalecendo o dólar. Já no Brasil, as incertezas fiscais, políticas e a falta de avanços em reformas estruturais aumentam a percepção de risco, reduzindo a entrada de capital estrangeiro.

Segundo Giana, a alta persistente do dólar encarece importações de combustíveis, fertilizantes e máquinas, o que eleva os custos de produção e, consequentemente, os preços para o consumidor. A economista ressaltou que o dólar alto impacta diretamente os preços de alimentos, combustíveis e bens industrializados, contribuindo para o aumento da inflação e a redução do poder de compra das famílias.

Além disso, esse cenário gera um efeito cascata, elevando o custo da dívida externa e trazendo ainda mais pressão para a economia. Giana explicou que, no caso de produtos com insumos importados, como combustíveis, alimentos que dependem de fertilizantes e itens eletrônicos, o aumento de preços no mercado interno costuma ser quase imediato, já que as empresas ajustam rapidamente os valores para refletir os custos mais altos.

Já em outros setores, como bens duráveis ou serviços que dependem de importações indiretas, os aumentos podem levar semanas ou meses para se manifestar, dependendo dos estoques das empresas e da dinâmica do mercado.

A economista finalizou afirmando que, para reverter esse cenário, o Brasil precisa avançar em reformas estruturais, como a tributária e a fiscal, a fim de reduzir as incertezas e atrair investimentos. No curto prazo, o Banco Central pode usar reservas internacionais para conter a volatilidade, mas a solução definitiva passa pela melhoria do ambiente econômico, com mais confiança, produtividade e competitividade.