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Cidade

Água fornecida em Passo Fundo registrou 16 tipos de agrotóxicos, sendo 8 associados ao câncer, aponta análise nacional

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Há dias o Brasil acompanha de forma silenciosa um dado alarmante que revela a presença de agrotóxicos na água potável distribuída nas torneiras para a população da maioria das cidades.

O Rio Grande do Sul tem forte atividade agrícola e, como era de se esperar, os índices de contaminação são altos.

Por lei, as companhias de abastecimento de água são obrigadas a testar a presença de 27 componentes no sistema que fornecem.

Dados do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano-Sisagua, órgão do Governo Federal, revelaram que amostras colhidas em Passo Fundo nos anos de 2014 a 2017 continham 16 tipos diferentes de agrotóxicos. Destes, 8 são considerados causadores de câncer ou má formação congênita e distúrbios endócrinos.

Um dos agrotóxicos mais conhecidos e polêmicos, o glifosato, alvo de discussão para sua proibição em todo o Brasil, foi encontrado em 6 de 13 testes feitos na água de Passo Fundo no período analisado. Apesar do dado, nenhum dos agrotóxicos detectados na água estava acima dos limites permitidos pela lei do Brasil.

A professora mestre em química da Universidade de Passo Fundo, Clóvia Marosin Mistura, explicou que toda substância acima do normal acaba causando problemas a longo prazo. Alertou que índices da Europa para níveis aceitáveis destes produtos na água são inferiores ao do Brasil, o que torna a nossa lei mais branda no assunto.

Para a professora, a contaminação está ocorrendo principalmente pelo mau uso de alguns agricultores. Explicou que, se for seguido o que manda o fabricante, dificilmente o produto saia da lavoura, contaminando outros locais. O que infelizmente ocorre é que muitos produtores acabam usando mais agrotóxico do que o recomendado na pressa por resultados.

A professora revelou que hoje há produtos capazes de diminuir essa contaminação da água, o que deve receber mais atenção das empresas abastecedoras. Destacou que o melhor é seguir monitorando os índices de contaminação e lembrou que os equipamentos que fazem isso estão mais modernos, detectando algo que antes passava despercebido.

Ela citou o caso da UPF, onde são feitos testes para 186 substâncias e que até agora não mostraram nenhuma contaminação na água oferecida dentro do Campus de Passo Fundo.